Fachin valida delação de dono da Reag, que geria fundos de Daniel Vorcaro
Em colaboração, João Carlos Mansur relatou que fundos de investimentos serviram para ocultar pagamento de propinas do ex-banqueiro
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BRASÍLIA (FOLHAPRESS) – O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, validou o acordo de delação premiada do empresário João Carlos Mansur, que era dono da Reag, gestora de fundos de investimentos. A Reag geriu fundos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A informação foi revelada, nesta sexta-feira (6), pelo UOL e confirmada pela Folha.
Mansur é um dos investigados no caso Master. Como mostrou a Folha, o empresário relatou na delação que fundos geridos pela Reag serviram para ocultar o pagamento de propinas de Vorcaro a autoridades públicas.
Segundo pessoas com conhecimento da colaboração, Mansur forneceu informações sobre a participação de sua empresa no esquema do Master, como a forma como essas operações financeiras eram feitas e onde estão os recursos que foram enviados ao exterior.
Investigadores apontam que boa parte do dinheiro desviado no esquema Master está fora do Brasil. Com a colaboração do empresário, esses valores podem ser devolvidos ao país mais facilmente, sem a necessidade de firmar acordos com autoridades estrangeiras.
O acordo de delação de Mansur foi assinado com a PGR (Procuradoria-Geral da República), e não teve a participação da Polícia Federal.
Na ocasião, o empresário entregou 17 anexos com informações com foco em Vorcaro, e citou políticos como o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).
Além disso, as investigações da PF apontam que Mansur também é suspeito de ter usado os fundos da gestora para ocultar pagamentos em imóveis a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília)
À época em que foi assinado, o acordo foi enviado para o gabinete do ministro André Mendonça, do STF, para que fosse validado. Mendonça é, na realidade, o relator do caso Master no Supremo, porém, foi afastado da condução da investigação por determinação de Edson Fachin.
Em 29 de outubro, o presidente do tribunal deu decisão mantendo com ele a relatoria do caso pelo prazo de 90 dias. A medida foi tomada durante o auge da crise institucional na corte, depois de Mendonça tirar o sigilo de relatório da PF que apontava Alexandre de Moraes, também do STF, como possível interlocutor de Vorcaro.
Para que um acordo de delação seja validado, o investigado precisa admitir crimes e entregar provas que serão utilizadas na investigação. Além disso, Mansur se comprometeu a ajudar na recuperação dos valores desviados e a pagar uma multa de R$ 40 milhões.
Embora não esteja preso, o empresário foi alvo, em janeiro de 2026, da operação Compliance Zero, que trata dos escândalos relacionados ao Banco Master.
Logo depois da operação, o Banco Central decretou a liquidação da Reag. A empresa também foi citada na operação Carbono Oculto, que investiga a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) em negócios da economia formal.
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