‘Era de dentro da nossa casa’: empresário se diz ‘muito triste’ com funcionária que usou cartões dele apostar no Tigrinho, em Goiânia
Segundo um dos empresários, a descoberta só ocorreu após a saída dela, quando novos procedimentos de conferência revelaram os gastos
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A descoberta de que uma ex-secretária teria usado cartões corporativos e pessoais dos sócios para bancar despesas particulares causou prejuízo financeiro e abalou a relação de confiança que ela mantinha com os empresários de uma empresa localizada no Jardim Goiás, em Goiânia. Funcionária desde 2019, ela era considerada próxima da família dos proprietários. A mulher foi indiciada por furto qualificado, e o caso levou os empresários a mudar os procedimentos de controle e autorização de pagamentos.
“Essa situação tem causado muita tristeza e desconforto para mim e minha família, pois era uma pessoa de dentro de nossa casa, pessoa em quem depositamos muita confiança. Eu e minha esposa estamos muito tristes e queremos muito que ela pague pelo que fez de alguma forma, pois, além de trair nossa confiança e amizade, ela causou grande prejuízo a nós”, disse um dos sócios ao Mais Goiás.
A ex-secretária executiva foi indiciada pela Polícia Civil por furto qualificado com abuso de confiança e mediante fraude, em continuidade delitiva. O relatório final da investigação foi concluído e assinado pela delegada Thaynara Andrade Berquo Peleja no dia 27 de agosto.
Segundo o empresário, que prefere não ser identificado, as irregularidades só foram descobertas após a saída da funcionária, em fevereiro deste ano. Até então, ela própria era responsável pela conferência dos lançamentos dos cartões. Depois que deixou o cargo, a esposa do empresário, que também é sócia, passou a fazer a verificação junto com a nova secretária executiva. Foi durante esse processo que foram identificadas compras que, segundo os empresários, não haviam sido autorizadas.
Ex-secretária tinha acesso aos cartões
A funcionária tinha acesso aos cartões por ocupar uma função de confiança. Cabia a ela entregá-los aos funcionários que fariam compras autorizadas pelos sócios e, posteriormente, conferir os respectivos lançamentos. O empresário afirma que ela nunca teve autorização para usar os cartões em despesas pessoais e negou que houvesse na empresa qualquer permissão para que funcionários realizassem compras particulares e devolvessem os valores posteriormente. Essa possibilidade havia sido mencionada por um funcionário ouvido pela Polícia Civil durante a investigação.
“Isso nunca aconteceu. Ninguém, nem ela tinha essa permissão. Ela era a responsável por garantir que as compras fossem apenas para atender a empresa e os sócios. Ela era a pessoa de confiança para que compras extras ao que os sócios pediram não fossem feitas nos cartões”, afirmou.
De acordo com a investigação, foram identificados diversos gastos sem relação com as atividades da empresa, incluindo compras para uso pessoal, despesas relacionadas à residência da investigada e pagamentos de serviços particulares.
Cartões pessoais foram levados
A saída da funcionária ocorreu de forma inesperada, segundo o empresário. No dia 5 de fevereiro, uma amiga dela foi demitida. Após receber a notícia, a ex-secretária decidiu não retornar para cumprir o aviso prévio, que terminaria no dia 11.
Segundo o relato, ela se despediu apenas da amiga, recolheu os pertences e deixou a empresa levando cartões de crédito pessoais do empresário. No dia seguinte, os sócios pediram à nova secretária que procurasse os cartões e descobriram que estavam com a ex-funcionária. Eles então solicitaram a devolução.
Antes disso, um dos cartões teria sido usado para pagar R$ 1.649,90 em mensalidades e taxas da escola da filha da investigada. O pagamento foi feito em 6 de fevereiro e posteriormente estornado pela instituição de ensino após os responsáveis serem informados sobre a suspeita de fraude.
O empresário afirmou ainda que outros episódios envolvendo a funcionária já haviam chamado a atenção antes da descoberta das compras. Segundo ele, ela teria usado um veículo da empresa de forma indevida e chegou a ser advertida.
Ainda conforme o relato, pouco antes de deixar o emprego, a funcionária teria deixado de cumprir uma demanda e, após ser chamada a atenção, pediu o desligamento.
‘Entendemos que não pode haver confiança’, diz empresário
Após descobrir as despesas, os sócios mudaram os procedimentos internos para evitar que uma única pessoa concentre o controle sobre solicitações, cartões e conferência de gastos. “Infelizmente entendemos que não pode haver confiança”, afirmou o empresário.
Atualmente, antes de o setor financeiro realizar os pagamentos, é feito um fechamento que precisa ser conferido e assinado pelos dois sócios. Durante o interrogatório policial, a ex-secretária permaneceu em silêncio. O marido dela negou ter utilizado os cartões físicos da empresa, mas confirmou à polícia que a mulher pagou despesas particulares, incluindo a instalação de boxes na residência e gastos relacionados a uma festa.
A Polícia Civil concluiu o inquérito com o indiciamento da ex-funcionária. O caso foi encaminhado ao Ministério Público e tramita na Justiça.
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