Goiano cria app para checar histórico do parceiro que conheceu na internet após trauma vivido por amiga
Checking reúne informações públicas de processos e outros registros para ajudar usuários a conhecer melhor uma pessoa antes de se encontrar com ela ou iniciar uma relação
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As notícias de agressão a mulheres, golpes e outros delitos mudou a forma com que as pessoas se conhecem na internet. Além de trocar mensagens e descobrir interesses em comum, passou a ser importante levantar o histórico do parceiro em potencial. Pensando nisso, o goiano Lindon Johnson criou o Checking, aplicativo que reúne informações públicas sobre uma pessoa para ajudar o usuário a conhecê-la antes de encontrá-la pessoalmente ou iniciar uma relação.
A ferramenta permite que o usuário faça a consulta a partir do nome completo e do telefone. Disponibiliza registros existentes em tribunais, cartórios e diários oficiais de todo o Brasil, além de apresentar as informações encontradas de forma simples.
A ideia surgiu depois de uma experiência próxima ao fundador. Segundo Lindon, uma conhecida foi agredida pelo namorado e, ao investigar o caso, ele descobriu que o homem já tinha registros de agressão anteriores, desde 2006. A vítima não sabia desse histórico.
“Isso me gerou muita indignação e percebi que o sistema judiciário pode ser falho em alguns casos e, assim, criei o Checking para ajudar outras pessoas a terem acesso a informações que podem evitar que a sua vida seja colocada em risco”, destacou.
Consulta pode ser feita antes do primeiro encontro
O objetivo, segundo o criador, é permitir que a pesquisa aconteça antes que a relação avance. Isso inclui situações como conhecer alguém por aplicativos de relacionamento, receber uma indicação de amigos ou até se aproximar de uma pessoa que surgiu em outros ambientes.
Na prática, o usuário pode fazer a consulta antes de combinar um encontro ou de decidir se pretende levar adiante uma nova relação.
O sistema busca informações em diferentes fontes públicas e apresenta os resultados de acordo com a situação de cada registro. O Checking não produz um histórico próprio das pessoas consultadas. A intenção é evitar que uma denúncia ainda sem conclusão seja apresentada da mesma forma que uma decisão definitiva.

“Mostramos o status processual: confirmado é registro definitivo; denúncia ou em andamento é indício pendente. Nunca rotulamos a pessoa como culpada ou inocente”, explica Lindon.
Pessoas de mesmo nome
Outro cuidado é evitar que um processo de outra pessoa seja atribuído ao usuário consultado. Isso pode acontecer quando existem homônimos, ou seja, pessoas diferentes com o mesmo nome.
Segundo Lindon, o sistema cruza as informações fornecidas pelo usuário com os dados encontrados. Quando identifica uma grande possibilidade de que se trate de outra pessoa, a consulta não é concluída e o crédito utilizado é devolvido.
Por isso, quanto mais completos forem os dados informados no momento da busca, maior a possibilidade de encontrar a pessoa correta.
Também há mecanismos de segurança para proteger os usuários.“Os dados são criptografados e as informações pesquisadas não ficam armazenadas. O usuário ainda pode excluir a própria conta e existe um espaço para contestação de informações que possam estar incorretas”, explica.
Aplicativo não define quem é confiável
Apesar de funcionar como uma ferramenta de consulta, o Checking não determina se uma pessoa é confiável ou perigosa. A avaliação continua sendo responsabilidade de quem faz a pesquisa.

A proposta é oferecer mais uma fonte de informação antes de uma decisão que, muitas vezes, é tomada apenas com base no que a própria pessoa conta sobre sua vida. “Isso não substitui o julgamento pessoal”, afirma Lindon.