Grande Hotel: a incrível história do prédio onde Goiânia nasceu e cresceu
Projetado por Attílio Corrêa Lima e inaugurado em 23 de janeiro de 1937, Grande Hotel sediou reuniões, bailes e ocasiões festivas em que se discutia o futuro de Goiânia
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“Goiânia, cidade linda, que nos encanta e seduz. De dia não tem água, de noite não tem luz”. O poema foi escrito pelo escritor Monteiro Lobato durante a estadia dele no Grande Hotel, prédio que não apenas marcou o início da construção da cidade, mas refletiu o ideal de modernidade que moldaria a identidade da capital nas décadas seguintes. Essa definição é de Priscila Queiroz de Souza e foi feita em dissertação de mestrado apresentada na Universidade Federal de Goiás (UFG).
Durante décadas, o edifício funcionava como uma espécie de vitrine: a elite política e econômica se encontrava ali para construir laços que determinaram o que Goiânia é hoje. “O Grande Hotel legitimava a posição privilegiada daqueles que o frequentavam”, diz Priscila.
O hotel foi projetado para ser o símbolo do que Pedro Ludovico Teixeira imaginava que Goiânia seria: “uma capital acessível, que irradie progresso e marche na vanguarda, coordenando a vida política e estimulando a econômica”.
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Para um estado ‘doente’, a cura era construir uma nova capital
A história do Grande Hotel começa em 1930, com a revolução que alçou Getúlio Vargas ao cargo de presidente e promoveu mudanças no equilíbrio do poder nos estados. Em Goiás, Getúlio nomeou para o governo o médico Pedro Ludovico Teixeira, que produziu um relatório recomendando a mudança da capital – uma ideia antiga, mas nunca levada adiante.
Valendo-se de sua profissão, Ludovico examina Goiás como a um doente: o trabalhador rural e suas condições miseráveis e suas verminoses; a economia, a fartura e a indolência; o saneamento urbano e rural, a viação, as atividades escolares, o exercício das profissões, o sistema educacional, a justiça e a força pública. O diagnóstico convence o presidente, e em 18 de maio de 1993 sai o decreto (3.359/33) que define o local da nova capital e estabelece prazo de dois anos para transferência definitiva.
Para atender ao grande fluxo de operários, o Estado constrói alojamento à margem direita do Córrego Botafogo, ranchos de capim, casas de madeira, barracões de depósito. Quanto mais braçais eram os trabalhadores, mais longe do centro eram alojados.
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Hotel, governo e prefeitura: primeiras obras de Goiânia
Depois de definir onde a cidade seria construída, Ludovico convocou o engenheiro e arquiteto Attílio Corrêa Lima para elaborar o traçado urbano e definir quais seriam os primeiros prédios a serem erguidos, por critério de urgência: palácio do governo, hotel e prefeitura.
O hotel ficaria na avenida Goiás, a poucos metros da sede administrativa. Em seguida, viriam a Diretoria-Geral de Segurança e Assistência Pública, o Palácio da Justiça, o Palácio da Instrução e o Quartel da Força Pública.
A escritora Anamaria Diniz afirma, no livro “Goiânia de Attílio Corrêa Lima (1932-1935): ideal estético e realidade política”, que, ao conceber o Grande Hotel, Attilio projetou um edifício com orientações modernas e inovadoras para a época. Destacava-se a relativa simetria da fachada, que é quebrada pelas janelas do tipo escotilha. Outra singularidade foi a entrada, elaborada em formato circular, diferenciando-se do restante do prédio.


Apagão na inauguração e discurso à luz de fósforos
A obra do Grande Hotel foi finalizada em julho de 1936. Localiza-se na esquina com a Rua 3 e ocupa seis lotes. A inauguração oficial ocorreu em 23 de janeiro de 1937 e o local era descrito, pela imprensa, como “o monumento que, no futuro, poderá narrar toda a história de Goiânia, pois nasceu com ela e com ela viverá, assistindo todos os seus triunfos e participando de todas as suas glórias”.
De acordo com reportagem do Correio Oficial, a solenidade reuniu mais de mil pessoas. Após o governador Pedro Ludovico declarar inaugurado o Grande Hotel, houve a benção do padre José Sebastião, seguida do discurso do secretário de Governo Manoel Gomes Pereira – que celebrou a realização de um “sonho” com a conclusão do edifício.
Durante a festa, a energia acabou e todos ficaram no escuro. Convidados acenderam fósforos e lanternas para que Manoel terminasse de ler o pronunciamento.

Bailes, jantares, festas e uma exímia pianista
O prédio já recebia eventos sociais antes mesmo da inauguração. No Carnaval de 1936, “os salões do Grande Hotel se engalanaram festivamente, apresentando um aspecto deslumbrante. […] Entusiasticamente para eles convergiu a elite social de Goiaz […]”, relatou a imprensa na época. Em seguida, o 1º Réveillon de Goiânia, noticiado pelo Correio Oficial em 31 de dezembro de 1936, teve saudações entusiasmadas aos governantes Pedro Ludovico e Venerando de Freitas.
O Grande Hotel, de acordo com documentos da época, tinha “60 quartos e quatro apartamentos de luxo, com água encanada em todos eles, três pavimentos, ótimo salão de refeições, cozinha, vários banheiros servidos de água quente e fria, além de garagens e outras dependências próprias dos melhores estabelecimentos desse gênero”.
O prédio ilustrava cartões-postais, fotografias e peças publicitárias veiculadas pelo governo, fomentando a imagem desenvolvimentista que estava em sintonia com o projeto político de construção da nova capital.

O edifício cumpria uma função social peculiar. Diferente de outras repartições governamentais, como a Secretaria-Geral, o hotel oferecia espaços para convivência menos formais, o que favorecia encontros mais descontraídos entre políticos, empresários e intelectuais, funcionando como um ponto de sociabilidade que complementava as relações institucionais, mas com dinâmicas próprias.
“O restaurante do Grande Hotel funcionava como um palco privilegiado para a reafirmação de hierarquias sociais, expressando, por meio de rituais e performances, a configuração excludente da ordem social em construção”, ressalta Priscila Queiroz.
“A única diversão que existia eram reuniões simples que se fazia no Grande Hotel. As famílias ali se reuniam, e havia lá um piano que era executado pela esposa do doutor Manoel Gomes Pereira, exímia pianista. Então, à noite, principalmente nos fins de semana, as famílias se reuniam todas no Grande Hotel, e a senhora Gomes Pereira comandava o piano”, lembra o pioneiro Paulo Fleury da Silva em depoimento publicado em 2012.

Como funcionava a paquera no centro de Goiânia
Acontecia ali também uma prática que pesquisadores chamam de “footing”: as moças passeavam pela Avenida Goiás, em frente ao Grande Hotel, observando os rapazes que ali permaneciam. Esse movimento de ida e volta, conhecido também como vai-e-vem transformava o espaço em um ponto de encontro.
O “footing” se originou na França e, na década de 1940, começou a ser praticado em Goiânia, inicialmente em Campinas, na Praça Joaquim Lúcio. Remetia à contemplação do espaço e das pessoas, que caminhavam em um determinado local. Após a inauguração do Cine Teatro Goiânia, em 1942, o vai-e-vem passou a ser realizado entre o espaço que ia desse prédio até a Avenida Anhanguera, migrando em 1945 para a Avenida Goiás, em frente ao Grande Hotel, onde também se localizava a sorveteria Brasserie.
Na década de 1950, o footing passou para a Praça Cívica e, no final da década, para a Rua 8, sendo substituído no início dos anos 1960 por novas formas de lazer, como bares e danceterias.

Attílio x irmãos Coimbra Bueno: briga que desfigurou o Grande Hotel
A construção do prédio foi afetada por disputas internas de poder do Governo de Goiás na época. Inicialmente, tanto a elaboração do projeto, quanto a execução haviam sido colocados a cargo do engenheiro Attílio Corrêa Lima, representante da firma P. Antunes Ribeiro e Cia, do Rio de Janeiro. No fim, a tarefa foi repassada aos irmãos Coimbra Bueno.
“Attilio Corrêa Lima não pôde ser contratado como pessoa física para elaborar os projetos para a nova capital, uma vez que cabia ao Estado de Goiás, através de decreto, indicar uma pessoa jurídica que responderia por estes serviços. Assim, segundo relato de seu filho, Bruno Corrêa Lima, o urbanista solicitou ao amigo Paulo Antunes Ribeiro, também arquiteto, o uso do nome de sua firma”, conta a pesquisadora Anamaria Diniz.
A virada de mesa aconteceu no dia 4 de dezembro de 1934, quando a Diretoria Geral da Fazenda celebrou um novo contrato para nomear a firma Coimbra Bueno e Pena Chaves Ltda. como responsável pela direção geral das obras da nova capital, decisão que aumentou o atrito entre Attilio e os Coimbra Bueno. Os contratos entre o Estado e a firma P. Antunes Ribeiro e Cia foram, por fim, rescindidos no dia 26 de abril de 1935.
Pesquisadores dizem que, por causa dessas circunstâncias, o projeto idealizado por Attílio foi alterado de forma significativa até o resultado final. Além da briga de bastidores, contribuíram para alteração da proposta inicial a dificuldade para adquirir e transportar os materiais necessários e a escassez de mão de obra qualificada.

Para um Grande Hotel, grandes hóspedes
Além de um monumento à modernidade arquitetônica da época, o Grande Hotel era também um palco em que se reafirmava a hierarquia da sociedade de Goiânia e onde se consolidavam relacionamentos políticos.
As pessoas mais pobres só acessavam a área do luxuoso prédio de duas formas: 1) para cumprir uma atividade laboral qualquer, como a de recepcionista, cozinheiro, motorista e copeiro; ou para circular no perímetro externo. “Os setores subalternizados da população não dispunham do capital econômico necessário para usufruir plenamente do espaço, embora seu trabalho fosse imprescindível para a construção e manutenção da nova cidade”, diz Priscila Queiroz.
O hotel também recebeu hóspedes ilustres de fora – como Monteiro Lobato, citado no começo da reportagem. O verso dele para ocasião (Goiânia, cidade linda, que nos encanta e seduz. De dia não tem água, de noite não tem luz) mostra que o esforço das autoridades para criar uma imagem de sofisticação e progresso contrastava com as condições precárias da cidade na época).

Pablo Neruda em Goiânia: a viagem que virou poema
Em um dos momentos que simbolizaram o esforço do governo para projetar Goiânia como símbolo de modernidade usando o Grande Hotel, quando fosse possível, aconteceu em 1954. Entre os dias 14 e 21 de fevereiro, a cidade sediou o 1º Congresso Nacional de Intelectuais e quem se hospedou no hotel foi o poeta chileno Pablo Neruda.
Apesar de haver poucos documentos sobre a passagem de Neruda pela capital, permaneceu vivo na história o relato de que ele ganhou um pássaro durante a visita e o levou para casa, em Isla Negra, no Chile. Era uma ave de canto melodioso da família dos corrupiões. Chegando lá, o bicho morreu e Neruda fez um poema, chamado “Ode ao Pássaro Sofrê”, em que faz referência a Goiânia.


Levi-Strauss, um hóspede que não gostou do que viu
Em 1937, o renomado antropólogo francês Claude Levi-Strauss visitou Goiânia e se hospedou no Grande Hotel. A estadia na cidade não causou nele não causou boa impressão. Sobre o hotel em si, ele escreveu:
“Visitei Goiânia em 1937. Uma planície sem fim, que parecia, ao mesmo tempo, um terreno baldio, um campo de batalha, eriçada de postes de eletricidade e de estacas de agrimensura, exibia uma centena de casas novas dispersas pelos quatro cantos do horizonte. A mais importante era o hotel, paralelepípedo em cimento, que, no meio desse achatamento, evocava uma aéro-estação ou um fortim; ter-se-lhe-ia aplicado de boa vontade a expressão ‘bastião da civilização’, num sentido não mais figurado, mas direto, que adquiria com esse uso, um valor singularmente irônico. Pois nada poderia ser tão bárbaro, tão inumano, quanto esse empreendimento contra o deserto. Essa construção sem graça era o contrário de Goiás; nenhuma história, nenhuma duração, nenhum hábito havia saturado o seu vazio ou amenizado a sua rigidez; sentíamo-nos ali como numa estação ou num hospital, sempre passageiros e jamais residentes. Somente o temor dum cataclisma poderia justificar essa casamata. Produziu-se um, com efeito, cuja ameaça se prolongava no silêncio e na imobilidade reinantes. Cadmus, o civilizador, tinha semeado os dentes do dragão. Numa terra esfolada e queimada pelo hálito do monstro, esperava-se que nascessem homens”.

Crimes bárbaros envolvendo o hotel
Os livros contam a história de dois crimes bárbaros envolvendo o hotel – dois assassinatos. O primeiro ocorreu no final de 1937. A vítima foi um dos vários desembargadores e políticos hospedados no estabelecimento: o juiz José Milagre, de Caldas Novas. Há poucas informações sobre essa ocorrência.
O outro caso ficou conhecido como “o crime da caminhonete azul” e aconteceu em 1948. O porteiro José Gonçalves de Souza foi morto em frente ao hotel e teve o rosto desfigurado por criminosos que usavam uma caminhonete azul. Os autores do homicídio, Adolfo Machado Vasconcelos e seus comparsas, pretendiam fazer com que o corpo fosse identificado como sendo de Adolfo, com o objetivo de receber um seguro de vida previamente contratado.

Gestão temerária do Grande Hotel: um problema nunca solucionado
A ideia do governador Pedro Ludovico sempre foi a de arrendar o hotel para iniciativa privada gerenciá-lo depois que ficasse pronto. No dia 17 de fevereiro de 1937, o Estado assinou contrato com a arrendatária Maria Nazaré Jubé Jardim, esposa do administrador provisório, João da Veiga Jardim. Um ano e meio depois, em agosto de 38, um despacho convocou Nazaré para efetuar todos os pagamentos atrasados com Estado e com a previdência sob o risco de perder a concessão. Ela não o fez e o contrato foi encerrado.
O Estado assumiu a gestão do hotel, mas também não saneou as contas do estabelecimento. Pedro Ludovico deixou o governo em 1945 e, quatro anos depois, na gestão de Jeronymo Coimbra Bueno, a dívida já havia se multiplicado – um indicativo de que o poder público não via a necessidade de quitá-la como prioridade.
O débito previdenciário ficou tão alto que a única solução foi a de entregar o imóvel para o Instituto de Previdência e Aposentadoria dos Servidores (Ipase), como forma de quitação. Pesquisadores reconhecem esse fato como marco inicial da descaracterização do prédio, que perdeu parcialmente sua função original e passou a ser utilizado para outros fins. O imóvel

Entre 1971 e 1976, o instituto de previdência celebrou contrato com um particular, identificado em documentos como “sr. Franco”, que sublocava parte do imóvel para outros comerciantes.
Nos anos 1980, o governo federal decidiu reaver o imóvel e tirar os inquilinos na integralidade, com ações de despejo que tramitaram no Supremo Tribunal Federal (STF). Ao término desse processo, o Grande Hotel foi ocupado pelo Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social (Iapas), atual Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Estudiosos sugerem que essa ação foi motivada por um impasse relacionado aos valores pagos pelos locatários.
Nessa época, o prédio contava com 13 lojas, além de uma lavanderia e uma garagem. Dois andares abrigavam quatro apartamentos tipo suíte e cerca de 30 quartos comuns.
“A permanência física do edifício manteve viva sua associação com o imaginário urbano, funcionando como um lugar de memória: não mais exclusivamente da fundação da cidade, mas também das transformações que acompanharam o crescimento e a diversificação de Goiânia”, afirma Priscila Queiroz.
José Mendonça Teles: pressão pela preservação do patrimônio cultural
Personalidades como escritor e integrante do Conselho Estadual de Cultura (CEC) José Mendonça Teles iniciaram, nos anos 1980, um movimento em favor da preservação do patrimônio histórico de Goiânia. “[…] em nome da febre do desenvolvimento, administradores apressados cometeram o crime de destruir os marcos mais importantes de nossa história. Em menos de uma geração, Goiânia tornou-se uma cidade sem memória”, escreveu ele em 1998.
Em 1982, provavelmente em razão dessa pressão, o governador Ary Valadão assinou um despacho em que determinou o tombamento da Praça Cívica, prédio do Grande Hotel, Relógio da Avenida Goiás, Liceu de Goiânia, Teatro Goiânia, Prédio da Justiça Federal, que abrigou a Faculdade de Direito da Rua 20, Lago das Rosas, Casa de Pedro Ludovico Teixeira, Ateneu Dom Bosco, Estação Ferroviária, Prédio do antigo Grupo Escolar “Modelo”, Igreja do Sagrado Coração de Maria, Igreja do Antigo Seminário dos Padres Redentoristas, Sede do Fórum e da Prefeitura Municipal de Campinas e Prédio da Escola Técnica Federal de Goiás.
Mas o reconhecimento legal obtido pelo tombamento não foi suficiente para assegurar a preservação efetiva do prédio. Sem manutenção e políticas preventivas, o Grande Hotel entrou em processo de deterioração progressiva.


2000-2014: a fase do chorinho no Grande Hotel
Em 2003, a discussão sobre a preservação do patrimônio cultural de Goiânia ganhou fôlego com a decisão do governo federal de tombar o acervo art-déco da capital. Quatro anos depois, surge o projeto chamado “Chorinho no Grande Hotel”, com entrada franca e com a proposta de promover o uso social do prédio.
“Ao possibilitar que qualquer pessoa acompanhasse as apresentações, o projeto reforçava dimensões coletivas e democráticas da experiência musical. Embora o nome remeta a um gênero específico, o projeto acolheu outros estilos e promoveu artistas locais por meio da iniciativa”, diz a pesquisadora Priscila Queiroz.
O projeto foi interrompido em 2019 e voltou cinco anos depois, como parte da estratégia do prefeito Rogério Cruz de impulsionar um programa de requalificação do centro de Goiânia, chamado “Centraliza”.

Casa Cor no Grande Hotel: críticas de historiadores
Em 2004, o Grande Hotel sediou uma edição do Casa Cor, evento em que arquitetos reconfiguram espaços e os abrem à visitação do público. As intervenções da Casa Cor do imóvel resultaram em um turbilhão de críticas por parte de historiadores, que denunciaram a desfiguração do patrimônio cultural da cidade. Houve, por exemplo, a substituição de pisos e revestimentos por materiais de baixa durabilidade, apropriados apenas às necessidades imediatas da feira.
“Essas modificações contribuíram para o desgaste estrutural do prédio e, ainda conforme o Iphan, exigiram posteriormente a elaboração de um projeto de restauração, fundamentado em pesquisa documental e na identificação de elementos originais”, relembra Priscila.
Houve novas tentativas de utilização do prédio, como repartição pública, biblioteca infantil, lugar para aulas de música e dança. Ainda assim, a apropriação foi tímida e com manutenção e reformas que precarizaram um pouco mais a estrutura do imóvel.
2025: INSS reassume controle do Grande Hotel
Em 2025, a prefeitura deixou o Grande Hotel após 20 anos e o devolveu ao INSS. A reintegração de posse foi cumprida no último dia 30 de maio, por ordem da Justiça Federal em Goiás.
Em entrevista ao Mais Goiás, o prefeito Sandro Mabel (UB) comentou: “repassamos e eles terão a missão de deixar tudo lá arrumadinho, bonito, como o prédio merece. O Grande Hotel merece ser bem cuidado”, afirmou.

Para entender melhor:
Quem foi Attílio Corrêa Lima
Attilio Corrêa Lima nasceu em Roma em 1901 e graduou-se engenheiro-arquiteto pela Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) em 1925. Posteriormente, cursou urbanismo no Institut d’Urbanisme de l’Université de Paris (IUUP), onde foi orientado por Henri Prost, e colaborou no ateliê de Alfred Agache, que desenvolvia projetos para o Rio de Janeiro. Seu primeiro trabalho como urbanista ocorreu em 1932, com a encomenda do projeto de Goiânia, nova capital do Estado de Goiás, concluído em 1935. Em 1937, projetou a Estação de Hidroaviões do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em parceria com outros profissionais. Faleceu em 27 de agosto de 1943, em um acidente aéreo na Baía de Guanabara.
Quem foi Pedro Ludovico Teixeira
Pedro Ludovico Teixeira nasceu na Cidade de Goiás, em 23 de outubro de 1891 e faleceu em Goiânia, em 16 de agosto de 1979. Cursou Medicina no Rio de Janeiro. Retornou ao Estado de Goiás em 1916, indo residir em Rio Verde no ano seguinte. Em 1918 casou-se com Gercina Borges Teixeira. Em 1930, foi nomeado interventor federal no estado de Goiás, função que exerceu até 1945. Nesse mesmo ano, elegeu-se senador e participou da elaboração da Constituição Federal de 1946. Em 1950, retornou ao governo goiano e, posteriormente, em 1954, reassumiu uma cadeira no Senado, onde permaneceu até 1969, quando teve seu mandato cassado em decorrência do Ato Institucional nº 5, de 1968.