Dono de lava-jato é preso após atirar em ex-funcionário por dívida trabalhista em Goiânia
Empresário teria se irritado após acordo de R$ 12 mil na Justiça do Trabalho. Ex-funcionário foi atingido no ombro e no quadril e passa bem
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O dono de um lava-jato foi preso após atirar duas vezes contra um ex-funcionário durante uma discussão relacionada a uma dívida trabalhista de R$ 12 mil, em Goiânia, na manhã desta sexta-feira (28). O trabalhador, de 40 anos, foi atingido no ombro e no quadril e levado ao hospital. Segundo a Polícia Civil, o empresário fugiu após os disparos e foi encontrado escondido na casa de uma irmã, no Jardim América. A arma usada no crime foi localizada dentro de um cesto de roupa suja.
O caso aconteceu por volta das 6h30, na Rua 15-A, no Setor Aeroporto. Segundo a PC, o desentendimento ocorreu entre o empresário, identificado como Miramar dos Santos Rocha, e o ex-funcionário, que havia recorrido à Justiça para cobrar direitos trabalhistas.
As partes haviam chegado a um acordo três dias antes do ataque. Em audiência realizada na terça-feira (25), ficou definido que Miramar pagaria R$ 12 mil ao ex-funcionário, em 19 parcelas. O primeiro pagamento estava previsto para setembro.
Segundo o processo trabalhista, o homem havia trabalhado no lava-jato como lavador e polidor de veículos entre fevereiro de 2025 e julho de 2026 sem registro na carteira de trabalho. Ele também alegou não ter recebido direitos como FGTS e 13º salário e afirmou ter trabalhado com produtos químicos sem receber adicional de insalubridade.
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Ex-patrão teria ido armado ao trabalho
Conforme relatos reunidos pela polícia, depois da audiência trabalhista o empresário teria passado a frequentar o lava-jato armado. No dia do ataque, ainda segundo a PC, houve uma discussão e Miramar sacou a pistola que carregava na cintura.
Os dois tiros atingiram o ex-funcionário no ombro e no quadril. Ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado para atendimento médico. Segundo a polícia, os disparos não atingiram órgãos vitais e o homem passa bem.
Após fugir do local, Miramar foi procurado por equipes do serviço de inteligência da PM, do Batalhão do Giro e da Força Tática do 38º Batalhão. Os policiais localizaram o empresário na casa de uma irmã, no Jardim América.
De acordo com os agentes, ele se entregou e indicou onde havia escondido a arma. A pistola foi encontrada em um cesto de roupa suja.
Empresário diz que foi ameaçado
Após a prisão, Miramar negou que tenha atirado por causa do acordo trabalhista. Aos policiais, ele contou que aceitou pagar o valor determinado pela Justiça, mas alegou que vinha sendo ameaçado pelo ex-funcionário e que o homem portava um canivete durante a discussão.
A Polícia Civil informou que essa versão ainda será investigada.
Em nota, a defesa de Miramar afirmou que vai sustentar a tese de legítima defesa e que apresentará os documentos e demais elementos necessários durante a investigação. Os advogados Alexandre Guimarães e Camila Santana também destacaram que devem ser respeitados o direito à ampla defesa e a presunção de inocência.
“O assistido possui autorização para uso pessoal da arma de fogo, questão documental que será oportunamente apresentada e devidamente contextualizada perante as autoridades competentes”, destaca a defesa.
O empresário permanece detido à disposição da Justiça.