Sexta-feira, 30 de Outubro de 2026
POSSÍVEL INSANIDADE MENTAL

Quem é o jovem que atacou uma professora da UFG no setor Bueno, em Goiânia

Kaio Kalton, de 22 anos, foi acusado pelo MP de tentativa de homicídio após atingir Elizabeth Caramaschi com uma garrafa quebrada e dar socos na vítima de 79 anos

Por - Goiânia,GO
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professora x agredida

Kaio Kalton de Brito Soares, de 22 anos, foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) por tentativa de homicídio contra a professora aposentada da Universidade Federal de Goiás (UFG) Elizabeth Caramaschi, de 79 anos. O ataque ocorreu no dia 18 de outubro, no Setor Bueno, em Goiânia. Segundo a acusação, o jovem atingiu a vítima com uma garrafa de vidro quebrada e, depois que ela caiu na calçada, deu pelo menos 11 socos no rosto dela. O MP também o denunciou por resistência à prisão e pediu que ele seja submetido a um exame para avaliar sua saúde mental.

Antes de ser preso, Kaio estava desaparecido havia mais de 20 dias. De acordo com a companheira dele, o jovem saiu de casa em 28 de setembro, em Pontalina, na região Sul de Goiás, dizendo que faria um trabalho temporário no centro da cidade e voltaria para almoçar. Como não retornou, a família registrou o desaparecimento e passou a procurá-lo.

A companheira relatou que, antes de desaparecer, Kaio apresentava sinais de problemas psicológicos. Segundo ela, ele dizia que estava sendo perseguido e que pessoas faziam trabalhos de feitiçaria contra ele. A família chegou a conversar sobre a possibilidade de convencer o homem a procurar tratamento.

A mulher contou que soube da prisão por meio da sogra, que reconheceu o jovem em reportagens sobre a agressão à professora. A notícia chegou enquanto a família ainda tentava descobrir onde ele estava.

Ataque

Elizabeth caminhava pelo Setor Bueno quando foi abordada por Kaio. Conforme as informações reunidas na investigação, o jovem havia se envolvido em uma briga com outro homem, que conseguiu fugir. Ele estava com uma garrafa de vidro quebrada e, depois que a primeira pessoa escapou, seguiu em direção à professora.

garrafa x professora
Garrafa usada por jovem para agredir professora (Foto: Reprodução)

A aposentada tentou se afastar, mas foi alcançada na calçada. Câmeras de segurança registraram a agressão. Segundo a denúncia do Ministério Público, Kaio feriu Elizabeth no rosto, no pescoço e nas costas. Mesmo depois que ela caiu, continuou o ataque com socos.

A professora sofreu perfurações nas costas, ferimentos no rosto e traumatismo craniano. Ela foi levada ao Hospital Estadual de Urgências de Goiás (Hugo), onde permanece internada e chegou a passar por uma cirurgia facial, na última segunda-feira (26). Familiares disseram que a vítima apresentou sinais de melhora, mas ainda precisa de cuidados médicos.

O motivo do ataque não foi esclarecido e nenhum pertence da professora foi levado.

Denúncia e pedidos do Ministério Público

Na denúncia, o MPGO aponta que a agressão foi praticada com violência intensa e que Elizabeth não teve condições de se defender. O órgão também considera a idade da vítima um fator agravante e pediu que a Justiça fixe uma indenização mínima de R$ 20 mil pelos danos causados.

O Ministério Público solicitou ainda um exame de insanidade mental para avaliar se Kaio tinha condições de compreender o caráter criminoso de suas ações. O pedido busca esclarecer se havia algum problema de saúde mental que pudesse afetar sua capacidade de entendimento na época do ataque.

O jovem também responde por resistência à prisão. Após a agressão, ele foi localizado pela Polícia Militar e, segundo os relatos registrados no processo, teria avançado contra os policiais com outra garrafa quebrada e ameaçado os agentes. Para contê-lo, os militares atiraram em sua perna. Ele foi preso em flagrante e levado ao hospital.

Professora aposentada Elizabeth Caramaschi, de 79 anos, permanece internada após sofrer agressão em Goiânia e aguarda cirurgia de reconstrução facial (Foto: Acervo pessoal)
Professora aposentada Elizabeth Caramaschi, de 79 anos, permanece internada após sofrer agressão em Goiânia (Foto: Acervo pessoal)

A prisão foi convertida em preventiva durante audiência de custódia, no dia 19 de outubro. Na ocasião, o juiz considerou a gravidade da violência e o risco de que o suspeito voltasse a cometer crimes. A defesa, naquele momento, contestou o enquadramento do caso como tentativa de feminicídio, argumentando que Kaio não conhecia a vítima.

O que diz a defesa

O defensor público Fabiano Barros, responsável pela defesa de Kaio, informou que havia conversado com o jovem apenas por videochamada, porque ele continuava internado sob escolta policial. Segundo o defensor, ainda seria necessário um encontro presencial para entender melhor as circunstâncias do caso.

Na audiência de custódia, Kaio afirmou que não se lembrava dos detalhes da prisão. O juiz não determinou naquele momento a realização do exame de insanidade mental, mas deixou aberta a possibilidade de que a defesa apresente novamente o pedido caso surjam dúvidas sobre as condições psicológicas do acusado.

A denúncia do Ministério Público dá início à ação penal, mas Kaio ainda não foi condenado. A responsabilidade pelos crimes atribuídos a ele será analisada pela Justiça.

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