Vai faltar diesel em Goiás? Sindiposto alerta para redução nas entregas e risco de escassez em outubro
Presidente do sindicato afirma que postos estão recebendo até 20% menos combustível do que o solicitado e relata dificuldades de reposição, principalmente no interior do estado
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Os postos de combustíveis de Goiás estão enfrentando dificuldades para repor os estoques de óleo diesel, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto-GO). A entidade afirma que as bases de distribuição de Senador Canedo e do Jardim Novo Mundo, em Goiânia, estão restringindo a quantidade de combustível entregue aos revendedores. A entidade alerta que a movimentação aponta para probabilidade de escassez em outubro, a qual poderia provocar indisponibilidade nas bombas, acarretar em aumentos expressivos dos combustíveis e impactar o plantio e escoamento da safra 2026/2027.
De acordo com o presidente do sindicato, Márcio Andrade, os cortes atingem pedidos realizados em diferentes regiões do estado e podem chegar a 20% do volume solicitado. “Nós estamos tendo problemas de quantidade de entrega para todo o estado de Goiás. São as bases de distribuição no Senador Canedo e no Jardim Novo Mundo que estão restringindo os pedidos. Quem pede 10 mil litros, por exemplo, recebe 5 mil”, afirmou.
Segundo ele, o sindicato estima uma redução, de forma geral, entre 15% e 20% nos pedidos realizados pelos postos. Márcio relata que recebeu reclamações de estabelecimentos de todas as regiões do estado. Nesta sexta-feira (19), o diesel pode ser encontrado em postos de Goiânia com preços variados: o S-500, entre R$ 6,19 e R$ 6,49; enquanto o S-10 é vendido de R$ 6,99 a R$ 7,19.

Escassez em outubro
O presidente do Sindiposto afirma que, caso o cenário de restrições continue, poderá haver faltas pontuais de diesel nos postos. A preocupação aumenta diante da expectativa de crescimento do consumo em outubro, período que coincide com o avanço das atividades agrícolas e do plantio da safra 2026/2027.
Segundo Márcio, as próprias distribuidoras têm sinalizado a possibilidade de falta de combustível no próximo mês, além de preços mais altos. “As distribuidoras dizem que pode haver falta no mês de outubro, quando o consumo aumenta, e de preços mais caros, mas temos que observar o comportamento do mercado daqui para frente”, declarou.
Apesar do alerta, o sindicato ressalta que não há, neste momento, indicação de desabastecimento generalizado no país.

Interior enfrenta mais dificuldade
Embora o problema seja relatado em todo o estado, a percepção das dificuldades é mais intensa no interior, especialmente entre os postos que comercializam diesel. O presidente explica que os postos localizados em rodovias são os que mais vendem esse tipo de combustível e, por isso, sentem com maior intensidade as limitações nas entregas.
“É importante ressaltar que a percepção dessas dificuldades é mais no interior e de diesel, porque os postos de rodovia são onde tem a maior venda desse produto”, disse. Segundo Márcio, os postos localizados nas cidades também podem enfrentar dificuldades, mas costumam realizar pedidos menores e, por isso, sentem menos os efeitos da redução.
Preço do diesel subiu cerca de R$ 0,50

Além das dificuldades de abastecimento, o Sindiposto afirma que os custos de aquisição dos combustíveis também aumentaram nas últimas semanas. Segundo Márcio Andrade, o diesel teve um aumento médio de aproximadamente R$ 0,50 por litro para os postos.
“Os estoques dos postos ainda não estão em estado de alarme, mas há dificuldade de reposição”, afirmou.
Postos de combustíveis
O Sindiposto afirma que os postos são o último elo da cadeia de comercialização dos combustíveis. Eles não produzem, refinam, importam ou distribuem os produtos. Segundo a entidade, eventuais alterações nos preços praticados nas bombas refletem, entre outros fatores, as variações no custo de aquisição e reposição dos combustíveis.
O sindicato também esclarece que não interfere na formação dos preços praticados pelos postos em Goiás. Cada estabelecimento possui autonomia para definir os valores cobrados, conforme seus custos e condições comerciais.
Onde ficam as distribuidoras
O polo de Senador Canedo é o coração logístico e o maior complexo do estado, abrigando cerca de 25 distribuidoras. Elas ficam concentradas ali por conta do terminal da Transpetro, conectado diretamente ao oleoduto que traz os combustíveis de Paulínia (SP). É onde estão gigantes como Vibra (antiga Petrobras), Raízen (Shell) e Ipiranga, que dominam quase metade da distribuição nacional.
O Jardim Novo Mundo funciona como uma extensão estratégica, com cerca de 10 distribuidoras. O povo fica situado às margens da BR-153, uma região de altíssimo fluxo que facilita o escoamento rápido de caminhões-tanque para o interior do estado sem a necessidade de entrar na zona urbana da capital.