Sexta-feira, 02 de Outubro de 2026
CARREIRA NA AVIAÇÃO

Natural de Itaberaí, mulher que trabalhou como faxineira conquista espaço como piloto de avião nos EUA

Natural de Itaberaí, Fabrícia Azevedo enfrentou trabalhos fora da aviação e o desafio do inglês até conquistar espaço como piloto nos EUA

Por - Goiânia, GO
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Fabrícia Azevedo, pilota de avião natural de Itaberaí, em Goiás

Aos 29 anos, a piloto de avião Fabrícia Azevedo transformou em profissão uma paixão que, durante a infância, parecia distante. Natural de Itaberaí, no noroeste de Goiás, ela cresceu vendo pilotos e aeromoças pela televisão e imaginando aquela realidade como algo muito longe de sua própria vida

Em entrevista ao Mais Goiás, Fabrícia contou que a trajetória profissional foi marcada por escolhas que exigiram mudanças na vida pessoal e profissional. A formação para se tornar piloto levou mais de dois anos e abriu caminho para uma nova fase de sua carreira.

Da cabine como aeromoça ao comando de aviões

Foi durante um dos voos em que trabalhava como aeromoça que Fabrícia teve a primeira experiência no comando de uma aeronave. Ela foi convidada a se sentar na cadeira do copiloto e teve a oportunidade de assumir os controles por alguns instantes, sob orientação dos pilotos.

“Eu sentei na cadeira do copiloto, nos jatinhos que eu estava viajando como aeromoça, e eles desconectaram o piloto automático e me deixaram voar um pouquinho para a esquerda, para a direita. Foi ali, naquele momento, que eu falei que era o que eu queria fazer da minha vida”, contou.

Em voo, Fabrícia Azevedo utiliza o inglês para se comunicar pelo rádio com o controle aéreo (Vídeo: Arquivo pessoal)

Depois daquela experiência, Fabrícia iniciou uma formação que durou mais de dois anos. Para se dedicar aos estudos e à nova profissão, precisou fazer mudanças na vida pessoal.

“Eu tive que abrir mão de muita coisa para me tornar piloto: relacionamentos, lugares onde eu morava, tudo. Eu tive que me readaptar”, relatou.

Ela também conta que os primeiros anos exigiram escolhas para conseguir acumular horas de voo e experiência. Segundo Fabrícia, no início havia poucas opções de trabalho, o que a levou a colocar a formação profissional como prioridade.

“Você precisa escolher, principalmente no início da carreira, porque não tem tantas opções. Você tem que priorizar voar, tem que priorizar a carreira”, afirmou.

A primeira oportunidade em uma empresa internacional abriu uma nova etapa profissional. Até então, Fabrícia pilotava aeronaves de pequeno porte. Com o novo trabalho, passou a operar aviões maiores e ampliou sua experiência na área.

“Aquele foi um ponto-chave que virou a minha carreira, porque até então eu voava em aviões de pequeno porte e, depois, quando comecei a voar nos aviões de maior porte, foi um momento que virou a minha carreira”, disse.

Estados Unidos, inglês e o sonho de voltar a Itaberaí

A mudança para os Estados Unidos trouxe outro desafio: começar uma nova vida sem dominar o inglês. Para se manter no país, Fabrícia trabalhou com faxinas e na construção civil enquanto buscava oportunidades para avançar profissionalmente.

Fabrícia trabalhou com faxinas e na construção civil após se mudar para os Estados Unidos (Foto: Arquivo pessoal)

“Foi muito difícil. Sem falar inglês, foi difícil, né? Porque se comunicar com as pessoas era difícil, até para poder fazer um network, para conhecer e entrar dentro de algum grupo”, contou.

Ela então passou a se dedicar ao aprendizado do idioma e à criação de contatos na área da aviação. Um dos momentos importantes dessa fase ocorreu durante a participação na National Business Aviation Association (NBAA), evento do setor em que conseguiu ampliar sua rede de contatos com profissionais da área.

“Eu fui em um evento que chama National Business Aviation Association, e ali foi o ponto de partida, para te falar a verdade. Já falando inglês melhor, comecei a me conectar mais com a comunidade de pilotos, aeromoças, e essas oportunidades foram se abrindo”, relatou.

A trajetória profissional também permitiu que Fabrícia retornasse ao Brasil como piloto. No fim do ano passado e início deste ano, ela fez seu primeiro voo pelo país, em um jatinho do tipo light, com destino à Argentina e algumas paradas durante o trajeto.

“Falar em português, voar no meu país, foi o momento mais marcante para mim. Poder voltar lá como piloto, voando, trabalhando, foi muito marcante”, afirmou.

A experiência reforçou ainda um desejo para o futuro. Quando criança, Fabrícia vivia em Itaberaí, cidade que ainda não tinha aeroporto, e via a aviação como algo distante. Hoje, ela pretende voltar ao município e proporcionar às crianças a oportunidade de conhecer um avião de perto.

“É um dos meus projetos um dia, voltar lá em Itaberaí e levar a criançada para poder voar num aviãozinho pequeno”, contou.

Para ela, a trajetória até a cabine de comando é motivo de gratidão. Ao relembrar as dificuldades enfrentadas ao longo do caminho, Fabrícia atribui a conquista à fé e às oportunidades que encontrou.

Fabrícia mostra um pouco da rotina no comando de um avião (Vídeo: Arquivo pessoal)

“Tudo é possível quando você confia em Deus, quando você acredita em Deus. Tudo isso que aconteceu na minha vida foi certamente um milagre”, afirmou.

Hoje, quando está no céu, ela diz que o sentimento principal é de gratidão por trabalhar com aquilo que ama.

“Quando eu tô ali no céu, voando, a única coisa que me passa na mente é a gratidão. Gratidão porque hoje eu faço uma coisa que eu amo.”, declarou.

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