Policiais militares são denunciados por torturarem moradora do Setor Boa Vista, em Goiânia
Mulher foi torturada por cerca de três horas por asfixia e pisoteamento. Sobrinha também foi vítima das agressões
Ir direto pra matériaO Grupo Especial de Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público de Goiás (MPGO) ofereceu denúncia criminal contra sete policias militares por tortura (alguns por ação e outros por omissão) e abuso de autoridade. O tenente John Júnior Bispo Caldeira, o soldado Vasco Vinício Pereira Franco e o cabo Wequisley da Silva Santos foram denunciados por tortura e abuso de autoridade (por atentarem contra a inviolabilidade do domicílio e por praticarem o ato lesivo à honra da vítima). Já os sargentos Lúcio Carlos da Silva e Luciano Lemes, o soldado Rodrigo de Souza Dias e o cabo Ricardo Andrade Oliveira foram denunciados por tortura (omissão) e por abuso de autoridade (por atentarem contra a inviolabilidade do domicílio).
Segundo apontado na denúncia, na tarde de 17 de agosto do ano passado, o tenente John Júnior acompanhado de seu motorista, o soldado Vasco Vinício, parou na residência de uma das vítimas, no Setor Boa Vista, em Goiânia, onde ela estava acompanhada apenas de seu filho de 5 anos. Ainda assim, o tenente chamou outras duas equipes, uma fardada, formada pelo sargento Luciano Lemes e o cabo Wequisley e outra do serviço reservado, composta pelo sargento Lúcio Carlos, o cabo Ricardo Andrade e o soldado Rodrigo de Souza.
Sob o comando de John Júnior, as equipes fardadas permaneceram na frente da residência e a reservada foi incumbida de fazer contenção no lote atrás da casa, sob a suspeita de que alguém poderia fugir. Ao chamar a moradora, o tenente determinou que ela apresentasse seus documentos pessoais. Então, no instante em que ela voltou ao interior da casa para pegar os documentos, já foi acompanhada pelo tenente Bispo, o soldado Vasco e o cabo Wequisley, sendo que o sargento Luciano permaneceu ao lado de fora.
Conforme apontado pelo MP, a entrada na residência ocorreu sem qualquer autorização e sem o consentimento da moradora. No interior da residência, o tenente John Júnior indagou a vítima sobre a existência de armas de fogo e se tinha informações sobre uma pessoa conhecida como “Cigano”.
Diante da resposta negativa da mulher, ela foi algemada e levada ao banheiro, onde foi torturada. Os policiais enrolaram uma toalha no rosto da vítima, que estava deitada no chão do banheiro, e jogaram água sobre a toalha, impedindo-a de respirar. Neste momento, a vítima era ofendida com xingamentos de “safada” e “vagabunda”.
Ao ouvir gritos e choro vindos da residência, uma sobrinha da vítima, que vivia na casa ao lado, foi verificar o que acontecia, momento em que se deparou com o grupo de policiais na porta da residência da tia. Ao ingressar na casa, ela encontrou a tia no banheiro sendo torturada e pisoteada no tórax e abdômen.
Assim, a sobrinha da primeira vítima também passou a ser tortura por asfixia com a toalha molhada, momento em que também passou a ser questionada sobre armas de fogo e o paradeiro de “Cigano”, com a negativa sobre os questionamentos. Depois de torturar a moradora da residência por cerca de três horas e a segunda vítima por aproximadamente uma hora, os policiais foram embora. Quando saíram da residência, eles fizeram novas ameaças às vítimas, caso elas pretendessem revelar o ocorrido às autoridades.
Em seguida, os familiares levaram a moradora da residência ao Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) do Jardim Curitiba, mas perceberam que ela não possuía condições psicológicas para prestar declarações, motivo pelo qual a conduziram ao Cais do setor. Contudo, quando a vítima estava em atendimento médico o tenente John Júnior e o soldado Vasco chegaram no posto de saúde e exigiram que o médico modificasse a declaração da vítima constante no prontuário de que havia sido agredida por policiais.
Posteriormente, a vítima foi levada ao Instituto Médico-Legal e, em seguida procurou a Corregedoria da Polícia Militar e o Ministério Público. Investigação conduzida pela Corregedoria concluiu pela prática de crimes e transgressões por parte dos sete policiais militares.
No âmbito cível, o MPGO propôs também ação por ato de improbidade administrativa contra o tenente John Júnior, o soldado Vasco Vinício e o cabo Wequisley, com o pedido de afastamento deles de seus respectivos cargos.