Grupo de voluntários leva música e oração a pacientes do Hospital do Câncer de Rio Verde
Projeto criado há cinco anos reúne voluntários de diferentes religiões para visitar pacientes com música, oração e acolhimento
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Há cinco anos, o projeto Fé e Espiritualidade realiza visitas a pacientes, acompanhantes e funcionários do Hospital do Câncer de Rio Verde. As ações incluem momentos de oração, músicas e palavras de acolhimento em diferentes setores da unidade, como enfermarias, leitos, fisioterapia e cuidados paliativos.
Em entrevista ao Mais Goiás, Ernesto Passos, de 57 anos, que participa do projeto, contou que a iniciativa surgiu depois de ser convidado para ministrar uma palestra com o tema “Cuidando dos que cuidam”, voltada aos funcionários do hospital. A proposta inicial era oferecer apoio aos colaboradores, que enfrentavam uma rotina de muita pressão e situações delicadas.
Com o tempo, o projeto foi ampliado para outras áreas da unidade e passou a atender também pacientes e familiares. “A ideia, no início, era cuidar só dos funcionários. Só que aí surgiu a ideia de fazer não somente para os funcionários, mas também para todo o hospital”, conta Ernesto.
O trabalho faz parte de uma rede maior de ações voluntárias realizadas dentro do hospital. Entre elas estão iniciativas de produção e doação de perucas, lencinhos e outros itens, além da venda de roupas para arrecadar recursos.
Voluntários precisam de capacitação e hospital busca ampliar equipe
Qualquer pessoa pode procurar o hospital para participar das ações voluntárias, mas o projeto Fé e Espiritualidade exige uma preparação específica. Para integrar as equipes que visitam os pacientes, é necessário fazer um minicurso de capelania, que orienta os voluntários sobre como oferecer apoio espiritual e emocional, além dos cuidados necessários durante as visitas. As recomendações também são reforçadas nas reuniões de alinhamento das equipes.
Atualmente, o projeto conta principalmente com grupos formados por pastores, que ficam à frente das equipes, mas também reúne voluntários de diferentes religiões e pessoas que não seguem uma religião específica. “Tem pessoas católicas, pessoas espíritas, tem pessoas que talvez não tenham nenhuma religião, mas que estão ali com a maior religião de todas, que é o amor ao próximo”, afirma Ernesto.
As visitas costumam acontecer às segundas-feiras. Antes, havia atividades em outros dias da semana, mas a redução no número de voluntários fez com que o atendimento fosse concentrado. Segundo Ernesto, a necessidade de ampliar as equipes aumentou junto com o crescimento do hospital.
Durante as visitas, a reação dos pacientes e familiares costuma ser marcada pela emoção. Há situações em que pessoas que não conseguiam sair da cama se levantam para acompanhar uma oração ou ouvir uma música. Em alguns casos, os próprios acompanhantes pedem que os voluntários permaneçam no local.
Ernesto também relata momentos vividos durante as visitas a pacientes em cuidados paliativos e familiares que enfrentavam a perda de alguém. “Tem pacientes que chegam a se levantar, eles choram, se emocionam, pedem oração”, conta.
Para ele, o retorno recebido dos pacientes também é uma das principais motivações para continuar o trabalho. Frases como “vocês são anjos de Deus” e “foi Deus que mandou vocês aqui” são comuns durante os encontros.
Apesar de a proposta ser levar apoio aos pacientes, Ernesto afirma que os próprios voluntários acabam sendo transformados pela experiência. “A gente pensa que vai fazer algum bem e a gente é mais beneficiado pelo bem que estamos fazendo”, diz.
Com o crescimento do hospital, a demanda pelo projeto também aumentou. Segundo Ernesto, o número de voluntários não acompanhou esse crescimento. “Nós só não ampliamos mais porque faltam pessoas”, afirma. Por isso, o projeto busca novos voluntários para ampliar as visitas.
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