Após 12 anos de cuidado com pacientes, enfermeira de Goiânia luta pela vida e busca ajuda para se curar: ‘Quero ser testemunho de vitória’
Suellen Karlla descobriu câncer de mama triplo-negativo após encontrar um nódulo no autoexame e busca custear a imunoterapia
Ir direto pra matéria
A enfermeira Suellen Karlla Soares Barbosa, de 40 anos, passou os últimos 12 anos cuidando de pacientes na unidade de queimados do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia. Acostumada a estar ao lado de quem precisava de cuidados, ela se viu recentemente no outro lado da assistência médica após descobrir um câncer de mama triplo-negativo.
Casada e mãe de um menino de 7 anos, Suellen percebeu um pequeno nódulo na mama direita durante um autoexame realizado em casa, há cerca de seis meses. Como o achado não apresentava, naquele momento, indicação para biópsia ou procedimento cirúrgico, a orientação médica foi acompanhar a alteração e repetir os exames após esse período.
Durante os meses seguintes, porém, ela percebeu que o nódulo estava aumentando. Ao refazer a mamografia e o ultrassom, constatou que o crescimento havia sido significativo em um intervalo curto.
“Eu comecei a fazer a prevenção, já tem seis meses, mas os resultados foram sair agora. Seis meses atrás eu achei um nódulo no peito direito num autoexame mesmo que eu sempre faço. E aí vi que tinha esse nódulo, coisa que não existia antes e procurei já atendimento”, contou.
Diagnóstico veio após crescimento do nódulo
Com a alteração identificada nos novos exames, Suellen passou por uma biópsia, que apontou um câncer ductal invasivo. Em seguida, realizou o exame de imunohistoquímica, responsável por identificar as características do tumor, e recebeu o diagnóstico de câncer de mama triplo-negativo.
A partir daí, a busca pelo tratamento começou rapidamente. O oncologista que acompanha o caso indicou a combinação de quimioterapia e imunoterapia. A primeira sessão de quimioterapia está prevista para esta quarta-feira (9).

O tratamento será realizado em ciclos: a quimioterapia deverá ser feita semanalmente, enquanto a imunoterapia será administrada a cada duas semanas.
O principal obstáculo, neste momento, é conseguir a imunoterapia. Segundo Suellen, o medicamento tem alto custo e não está sendo disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento dela. Por isso, familiares e amigos iniciaram uma campanha para arrecadar recursos para a compra da medicação.
A enfermeira também entrou com um mandado judicial para tentar obter o medicamento pelo poder público, mas, enquanto aguarda uma decisão, busca arrecadar o valor necessário para não atrasar o início do tratamento.
“Eu vou ter que comprar em rede particular, porque o SUS não disponibiliza. Mas eu já entrei com o mandado pra gente poder ver se consegue essa medicação pra mim fazer uso dela junto com as quimioterapias”, explicou.
De cuidadora a paciente
Para Suellen, receber o diagnóstico representou uma mudança brusca de rotina. Além do trabalho no Hugol, ela mantinha outro emprego e precisou se afastar das atividades profissionais para iniciar o tratamento.
“Minha vida é muito ativa. Eu trabalho no GOL, tinha outro emprego também… então foi tudo muito rápido”, relatou.
O impacto também veio da inversão de papéis. Depois de mais de uma década acompanhando pessoas em momentos delicados, ela passou a vivenciar a rotina de consultas, exames e tratamentos como paciente.
“Me ver hoje no lugar de ser cuidada é algo que me impactou, porque eu sempre cuidei do outro e agora estou vendo no outro lado. Agora eu preciso ser cuidada”, afirmou.

Apesar do choque, Suellen diz estar confiante para enfrentar as próximas etapas. A postura, segundo ela, é semelhante à que sempre procurou transmitir aos pacientes que acompanhou durante a carreira.
“Eu sempre falava para eles que aquilo ia passar, que Deus estava olhando para nós, que a vitória deles ia vir, que a cura deles ia vir. E a minha não vai ser diferente.”
A enfermeira conta que também tem recebido mensagens de antigos pacientes e familiares de pessoas que ela cuidou ao longo dos anos. Muitos a reconhecem pelas redes sociais e relembram o atendimento recebido.
“Você é a enfermeira que cuidou da minha mãe, que cuidou da minha esposa”, relata Suellen sobre algumas das mensagens que tem recebido.
Para ela, esse retorno tem sido uma das fontes de força durante o momento delicado. A enfermeira acredita que a maneira como sempre enxergou os pacientes, para além da doença, marcou sua trajetória profissional.
“Você não olhava só a doença, e sim um todo do paciente”, conta, ao reproduzir uma das lembranças compartilhadas por antigos pacientes.
Nódulo foi o único sinal percebido
Antes do diagnóstico, Suellen não sentia dor nem apresentava outros sintomas associados ao câncer. O único sinal percebido foi o nódulo na mama direita, identificado durante o autoexame.
Segundo ela, o hábito de observar as próprias mamas periodicamente foi fundamental para perceber que havia uma alteração que não existia anteriormente.
“O sintoma que eu tive foi o sinal mesmo, que foi o nódulo. Como eu já fazia o autoexame periodicamente, no mínimo sinal diferente na mama eu já vi que tinha algo que não estava normal”, explicou.
Mesmo depois de identificar o nódulo, ela não apresentou dor ou qualquer outro sintoma ao longo do período de acompanhamento. O crescimento da alteração, percebido durante os seis meses seguintes, levou à repetição dos exames e, posteriormente, à realização da biópsia.

Agora, enquanto se prepara para iniciar o tratamento, Suellen conta com o apoio de familiares, amigos, antigos pacientes e outras pessoas que se mobilizaram para ajudá-la a conseguir a imunoterapia.
“Eu quero ser testemunho de vitória mesmo, de cura, e das orações que eu estou recebendo”, afirmou.
Como ajudar
Para ajudar nas despesas do tratamento, Suellen criou uma campanha para arrecadar o valor necessário à imunoterapia. A medicação, considerada de alto custo, deverá ser comprada na rede particular, segundo a enfermeira. Ela também recorreu à Justiça para tentar obter o medicamento por meio do SUS. As doações podem ser feitas pelo Pix informado na campanha.
Pix (CPF): 00325748195
Titular: Suellen Karlla Soares Barbosa
Leia também
- “São muitos os sonhos”: família de Goiás busca R$ 17 mi para tratar menino de 8 anos com doença rara
- Mãe deixa trabalho para cuidar de filho que ficou tetraplégico após assalto e pede ajuda para custear curativos em Goiânia
- ‘Alta complexidade’: siamesas passarão por nova cirurgia para preparar separação em Goiânia
- Da sala de aula à liderança: futuro médico transforma experiências na faculdade em aprendizado para a carreira