Terça-feira, 15 de Setembro de 2026
STF

4 a 4: Cármen Lúcia segue Fachin e vota para analisar casos Moraes e Mendonça separados

"Sou deferente sempre ao relator. A relatoria está com Vossa Excelência [Fachin], que, além de ser relator, é o presidente que pauta", disse a ministra

Por - Goiânia, GO
Publicado em: • Atualizado em:
4 a 4: Cármen Lúcia segue Fachin e vota para analisar casos Moraes e Mendonça separados

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia decidiu acompanhar o presidente da Corte, Edson Fachin, para manter separação de casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça. Com isso, o placar ficou 4 a 4.

Nesta terça-feira (15), ocorreu a sessão do julgamento que pode autorizar a abertura de investigação contra Moraes por mensagens trocadas com o fundador do Banco Master. O ministro Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem pelo adiamento e votação conjunta com o caso Mendonça (abuso de autoridade).

Ele foi seguido por Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Presidente da Corte, Edson Fachin se posicionou contra e foi acompanhado por André Mendonça, Luiz Fux e, por último, Cármen Lúcia.

“Sou deferente sempre ao relator. A relatoria está com Vossa Excelência [Fachin], que, além de ser relator, é o presidente que pauta. A pauta é do presidente. Não tenho nada a alegar para descontinuar isso.”

O ministro Nunes Marques se declarou impedido e Toffoli, suspeito.

Ainda antes do término do último voto, Dino pediu vista (mais tempo para análise). Após Cármen Lúcia, o presidente do STF proclamou o fim do dia de julgamento.

O desempate só ocorre após a devolução do processo por Flávio Dino. Caso ninguém mude o voto, como o presidente já votou, a regra será o resultado mais benéfico ao réu, conforme o constitucionalista Clodoaldo Moreira.

Julgamento

O julgamento da Petição 16.662 é inédito porque o Plenário vai analisar se há elementos que justifiquem uma investigação contra um integrante da própria Corte. A apuração começou após a Polícia Federal encontrar, no celular de Vorcaro, cerca de 50 mensagens enviadas a um número atribuído a Moraes, além de documentos sobre a relação do Banco Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O material também cita autoridades como o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Não há denúncia nem inquérito contra Moraes. Antes de avaliar uma eventual investigação, os ministros terão de decidir se as provas são válidas. A Procuradoria-Geral da República (PGR) questiona a forma como o relatório foi produzido e afirma que o então relator do caso Master, André Mendonça, não poderia ter determinado sozinho diligências que alcançaram outro ministro do STF. Moraes nega ter atuado para beneficiar Vorcaro.

O episódio gerou um conflito entre Moraes e Mendonça e levou Fachin a assumir a relatoria. O presidente do STF também suspendeu decisões conflitantes de Mendonça e Flávio Dino relacionadas ao diretor-geral da PF.

LEIA MAIS:

Categorias:
Brasil Justiça