Segunda-feira, 31 de Agosto de 2026
CRIME

Ex-secretária é indiciada por usar cartões de empresa para pagar iPhone, escola da filha, reforma e ‘Tigrinho’ em Goiânia

Desde 2023, a funcionária realizava pagamentos com os cartões e encaminhava as faturas ao financeiro, sem que os valores fossem conferidos

Luanna Marques
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
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Uma ex-secretária executiva de uma empresa localizada no Jardim Goiás, em Goiânia foi indiciada pela Polícia Civil por suspeita de usar cartões corporativos e pessoais dos sócios para bancar despesas particulares. Segundo o relatório final da investigação, os gastos ocorreram principalmente entre abril de 2025 e fevereiro de 2026 e incluem um iPhone de R$ 9,6 mil, mais de R$ 10 mil em enxoval, mensalidades e taxas da escola da filha, instalação de dois boxes de vidro na própria residência, festa de aniversário, roupas, material escolar, corridas por aplicativo e apostas on-line no “Tigrinho”. O prejuízo inicial foi estimado entre R$ 50 mil e R$ 150 mil.

O relatório da Polícia Civil foi concluído e assinado pela delegada Thaynara Andrade Berquo Peleja no dia 27 de agosto. De acordo com o documento, a ex-funcionária foi indiciada por furto qualificado com abuso de confiança e mediante fraude, em continuidade delitiva.

A investigada trabalhou na empresa entre julho de 2019 e fevereiro de 2026. Ela começou como recepcionista e, ao longo dos anos, chegou ao cargo de secretária executiva. Segundo um dos sócios ouvido pela polícia, a funcionária também prestava serviços de natureza pessoal para ele e para a esposa.

Por causa da função e da confiança conquistada dentro da empresa, ela passou a ter acesso e a guardar fisicamente cartões utilizados pelos sócios e pela companhia. De acordo com a investigação, desde 2023 a funcionária fazia pagamentos com os cartões e encaminhava posteriormente as faturas ao setor financeiro, sem que os titulares realizassem uma conferência direta dos lançamentos.

Foi durante uma auditoria nos extratos, realizada no início de fevereiro de 2026, que os sócios identificaram uma série de despesas que, segundo a polícia, não tinham relação com a atividade da empresa. Em um dos cartões analisados, o valor apontado chegou a R$ 100 mil. O relatório não informa o total identificado no segundo cartão.

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Compras para a casa e para a família

Parte dos gastos aparece no relatório ao qual o Mais Goiás teve acesso. Entre lançamentos considerados suspeitos está a compra de um iPhone de R$ 9.626,96, realizada em janeiro de 2026 e parcelada em duas vezes. Segundo a polícia, o aparelho era de uso pessoal da investigada.

Pouco depois, em 5 de fevereiro, houve um pagamento de R$ 2.600 pela instalação de dois boxes de vidro nos banheiros da casa onde ela morava, em Goiânia. Conversas anexadas ao inquérito confirmaram a contratação do serviço. Segundo a investigação, a máquina de cartão foi utilizada pelo marido da investigada.

Também foram identificadas duas compras de enxoval realizadas no mesmo dia. Uma delas custou R$ 9.499,90 e incluiu três jogos de cama, além de outros itens. A segunda, no valor de R$ 1.499,83, teve dez tapetes, lençóis e águas perfumadas. Juntas, as compras ultrapassaram R$ 10,9 mil. A investigação encontrou ainda uma compra de R$ 1.854,50 em semijoias, roupas femininas por R$ 701,73 e vestuário infantil feminino no valor de R$ 481,45.

As despesas também teriam sido usadas para custear necessidades da filha da investigada. Em janeiro de 2026, foram registrados pagamentos de R$ 113,85 e R$ 469,72 em material escolar.

Já em 6 de fevereiro, a mulher teria usado um dos cartões para pagar R$ 1.649,90 em mensalidades e taxas da escola da filha, divididos em três parcelas. O valor foi posteriormente estornado pela instituição de ensino depois que ela foi informada sobre a suspeita de fraude.

Festa de aniversário e apostas

Os gastos investigados também incluem despesas para festas particulares. Em novembro de 2025, uma compra de R$ 789 foi identificada como aquisição de produtos para a festa de aniversário da filha da investigada. O marido dela também afirmou à polícia que a mulher arcou com despesas de uma festa de aniversário do casal. Outro destino dos pagamentos foram as apostas on-line. O relatório cita lançamentos mensais relacionados a jogos de azar e ao “Tigrinho”, geralmente na ordem de R$ 220 por mês.

A polícia também encontrou dezenas de corridas por aplicativos de transporte que, segundo o relatório, eram de caráter particular e utilizadas pela investigada e por familiares. Os deslocamentos ocorreram inclusive em finais de semana, feriados e períodos festivos.

Auditoria revelou aumento de R$ 20 mil nos gastos

De acordo com o depoimento de um dos sócios, após a saída da funcionária foram identificadas inconsistências relevantes nos gastos mensais da empresa. Segundo ele, as despesas haviam aumentado cerca de R$ 20 mil por mês.

Um funcionário ouvido durante a investigação afirmou que era comum a utilização dos cartões da empresa para algumas compras pessoais, desde que houvesse posterior compensação financeira. A Polícia Civil, entretanto, concluiu que havia indícios de que a investigada teria utilizado os cartões para despesas pessoais e familiares sem autorização.

Para sustentar o indiciamento, a polícia reuniu faturas e extratos dos cartões, notas fiscais, comprovantes de cancelamento e estorno, imagens de câmeras de segurança e conversas por aplicativos de mensagens. Em um dos vídeos, um segurança aparece recebendo a encomenda que continha a caixa do celular e, em seguida, entregando o produto à investigada.

Durante o interrogatório, a ex-secretária optou por permanecer em silêncio. O marido negou ter usado os cartões físicos da empresa, mas confirmou que ela pagou a instalação dos boxes na residência e despesas relacionadas a uma festa particular.

Ao concluir o inquérito, a Polícia Civil afirmou haver elementos suficientes de materialidade e autoria e formalizou o indiciamento. O caso tramita na Justiça e foi encaminhado ao Ministério Público para as providências cabíveis.

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