Hospital das Clínicas suspende UTI pediátrica por falta de profissionais em Goiânia; bebê aguarda cirurgia
Unidade suspendeu temporariamente os atendimentos por falta de profissionais para completar a escala de plantões
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O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG/HU Brasil) suspendeu temporariamente as atividades da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica devido à falta de profissionais de saúde para cobrir a escala de plantões. A informação foi confirmada ao Mais Goiás na sexta-feira (4). Em nota, a unidade explicou que convocou todos os candidatos aprovados no último concurso público, mas as vagas remanescentes não foram preenchidas.
A nota enviada ao portal informa que o HC-UFG iniciou e já está na fase final do processo de contratação de uma empresa especializada em serviços de UTI pediátrica. A previsão, segundo a unidade, é de que o processo seja concluído ainda neste mês de setembro.
Enquanto os atendimentos na UTI Pediátrica permanecem suspensos, a entregadora por aplicativo Flaviana Magda Santos aguarda a realização da cirurgia indicada para a filha, Luna Santos Liberato, de seis meses. A bebê tem hidrocefalia congênita de padrão não comunicante e apresenta aumento progressivo do perímetro cefálico.
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Corrida contra o tempo
Segundo relatório médico emitido pelo HC-UFG em 2 de setembro, Luna tem indicação para a realização de uma terceiro ventriculostomia endoscópica. O documento informa ainda que o procedimento não pode ser realizado no hospital devido à ausência de UTI Pediátrica.
Flaviana afirma estar preocupada com a situação, principalmente diante do aumento progressivo do perímetro cefálico da filha e da falta de previsão concreta para a retomada dos atendimentos na unidade. “Não tem condição de a gente ficar esperando três ou quatro meses aguardando essa UTI ficar pronta. Eu não sei como é que a gente faz quando o hospital precisa fazer uma cirurgia e não tem UTI”, relatou.
Procurada pelo Mais Goiás, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) informou que os pacientes que necessitarem de terapia intensiva devem ser inseridos no processo de regulação, a partir do qual o Complexo Estadual de Regulação (CRE) avalia cada caso e busca, entre os leitos disponíveis na rede, uma unidade compatível com a necessidade clínica. A SES-GO ressaltou, porém, que o encaminhamento para outro hospital não ocorre de forma automática e depende da indicação médica, da gravidade do paciente, do perfil assistencial e da disponibilidade de leitos.
Leia a nota completa do nota do HC-UFG / HU Brasil:
“O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG/HU Brasil) informa que as atividades da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica estão temporariamente suspensas devido à falta de profissionais de saúde para cobrir a escala de plantões. O hospital já havia convocado todos os candidatos aprovados no último concurso público, mas as vagas remanescentes não foram preenchidas.
Para solucionar o problema, o HC-UFG iniciou e já está na fase final do processo de contratação de uma empresa especializada em serviços de UTI pediátrica. A previsão de conclusão desse processo é ainda neste mês de setembro.
A instituição ressalta que está adotando todas as medidas administrativas necessárias para agilizar os trâmites e garantir a retomada segura dos atendimentos na UTI Pediátrica o mais brevemente possível.”
Nota Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO)
“A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) esclarece que a gestão, o funcionamento e a contratação de profissionais para a UTI Pediátrica do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG) não são de responsabilidade da SES-GO. O HC-UFG é uma unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), responsável pela administração e pelo funcionamento do hospital.
Em relação aos pacientes que necessitam de UTI Pediátrica, é necessário que o caso seja inserido no processo de regulação. A partir da solicitação feita pelo município de origem, com as informações clínicas e a indicação médica, o Complexo Estadual de Regulação (CRE) avalia o quadro do paciente e identifica, entre os leitos disponíveis na rede regulada, uma unidade que tenha condições de receber aquele caso, considerando o perfil assistencial necessário e a gravidade do paciente. A regulação é, portanto, um processo técnico que busca compatibilizar a necessidade de cada paciente com a disponibilidade de leitos na rede.
A suspensão temporária de uma UTI, independentemente da unidade, reduz a oferta de leitos disponíveis e, consequentemente, aumenta a demanda sobre os demais serviços da rede. Por isso, os casos são acompanhados pelo Complexo Estadual de Regulação, que trabalha na identificação de alternativas assistenciais conforme a disponibilidade e o perfil de cada unidade.
A regulação considera critérios técnicos e assistenciais, como a indicação médica, a necessidade de cuidados intensivos, o perfil da unidade e a disponibilidade de leito. Portanto, o encaminhamento para outra unidade não ocorre de forma automática, mas mediante avaliação e regulação do caso.
Goiás conta com leitos de UTI Pediátrica em hospitais estaduais e em unidades contratualizadas pelo Estado, como o Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), Hospital Estadual de Águas Lindas de Goiás (Heal), além de unidades em Rio Verde, Itumbiara, Uruaçu e outras regiões.
Assim, diante da suspensão temporária da UTI Pediátrica do HC-UFG, os pacientes que necessitarem desse tipo de atendimento e estiverem sob regulação estadual serão avaliados individualmente pelo Complexo Estadual de Regulação e, havendo indicação, serão encaminhados para uma unidade da rede que disponha de leito compatível com a necessidade clínica.”
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