Cientista social e fundadora do PSOL em Goiás: quem é Cíntia Dias, candidata ao Senado
Mãe, cientista social e ativista da reforma agraria, candidata soma sete eleições no estado
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Presidente do PSOL Goiás desde 2021, a candidata ao Senado Cíntia Aparecida Dias é cientista social formada pela Universidade Federal de Goiás (UFG) em 2013 e mestranda na mesma área. Esta é a sétima eleição que ela concorre em Goiás, todas pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).
Cíntia Dias, como é conhecida, nasceu em 25 de maio de 1977, em Goiânia. Ela é casada com Juarez Júnior e tem dois filhos. Na política, ela iniciou sua trajetória no movimento estudantil aos 18 anos de idade, quando esteve em espaços de organização no Centro Acadêmico e no Diretório Central dos Estudantes. Ela também faz parte da Associação Comunitária dos Agricultores do Projeto de Assentamento Santa Dica, movimento ligado à história de luta pela terra em Goiás e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Uma das fundadoras do PSOL em Goiás há mais de 15 anos, ela concorreu pela primeira vez em 2010 ao cargo de deputada estadual. Em 2012, ela disputou a Câmara Municipal de Goiânia, assim como em 2020 e 2024. Além disso, a cientista social disputou o cargo de vice-governadora em 2014, tendo Professor Weslei como cabeça de chapa, e o de governadora em 2022.
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Inclusive, em 2022, Cíntia terminou o pleito na quinta colocação, com 20 mil votos. Em 2024, na corrida por vaga na Câmara Municipal, ela teve 722 eleitores — houve uma redução em relação a 2020 (1.733). Desta vez, a pessolista foi indicada ao Senado pela Federação PSOL/Rede Sustentabilidade, que integra a coligação Goiás Pode Mais, que ainda inclui PT, PCdoB, PV, PDT e PSB.

No começo do ano, ela também tentou buscar legendas mais à esquerda, como PCB, PSTU e Unidade Popular. Durante parte da pré-campanha, ela se colocou como pré-candidata ao governo, tendo, inclusive, reunião com a presidente do PT Goiás, deputada federal Adriana Accorsi.
Segundo ela, o objetivo de sua candidatura é representar a classe trabalhadora, as mulheres, as mulheres negras, mães, os LGBTQIAPN+, os homens companheiros, os negros e a periferia que precisa de representantes no Parlamento.
Conversão de votos
Neste ano, a expectativa de Cíntia é aproveitar que, diferente da direita, são poucos nomes da esquerda ao Senado, bem como o eleitorado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Estado. Em 2022, o petista teve 39,51% dos votos no primeiro turno das eleições, com 1.454.723 eleitores goianos.
Segundo ela, o número é mais que suficiente para eleger um senador — naquele ano, Wilder Morais (PL), hoje candidato ao governo, foi eleito senador com 799.022 votos. Para a pessolista, há espaço entre os eleitores do líder petista para subir à Casa Alta.
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“Eu era a candidata da Frente Progressista em 2022. Tinha apoio do ministro Guilherme Boulos, da ex-senadora Marina Silva e de líderes importantes do PSOL, como Luiza Erundina, Juliano Medeiros, entre outros. Agora, com o apoio do presidente Lula, do vice Geraldo Alckmin e dos deputados do PT, como Adriana Accorsi e Rubens Otoni, do PSB, da presidente Aava Santiago e do PDT, com Mundim, é chegar a cada um desses eleitores que votaram em Lula”, afirmou. Ela disputa a Casa Alta do Congresso na chapa do candidato ao governo de Goiás pelo PT, Luis Cesar Bueno.

Disputa judicial
A trajetória de Cíntia também inclui uma disputa judicial do PSOL pelo mandato do vereador Fabrício Rosa, hoje no PT. A legenda processou o petista por infidelidade partidária.
Em 2020, ele disputou o cargo pelo PSOL, mas não se elegeu, apesar de quase 4,3 mil votos. Em 2022, Fabrício migrou para o PT e, no ano de 2024, após uma série de cassações de chapas, ele foi convocado a tomar posse.
Já sob Cíntia Dias, o PSOL acionou a Justiça para garantir o mandato ao partido. “É extremamente importante o PSOL assumir o que é dele. Foram os votos de toda a chapa que colocaram o partido nesta vaga, não de um candidato A, ou B. É inadmissível o partido ficar ausente de uma discussão que é dele”, disse à época.
A disputa, contudo, não prosperou. Faltavam menos de seis meses para o fim da legislatura.

Violência política
Já em 2024, quando concorria à Câmara Municipal, ela denunciou ataques da extrema-direita. Um deles ocorreu no Jardim Fonte Nova, quando os extremistas rasgaram as bandeiras de campanha dela e urinaram no objeto.
“Quero deixar um recado para todas as mulheres, especialmente para aquelas que estão em campanha: não desistam, nossa luta é fundamental. E para os homens: não estamos aqui para ocupar o espaço de ninguém, estamos aqui para garantir nossos direitos”, disse à época.
Na mesma campanha, já tinham ocorrido outros ataques, quando na feira no Urias Magalhães um homem proferiu ofensas a ela, além de gritar que ela “deveria mudar de partido”. Ela também teve materiais destruídos em outro momento, ao lado da Universidade Salgado de Oliveira.
“Sou socialista e quero acreditar na transformação das pessoas. Através do diálogo, da conversa e também do voto. É inadmissível que as mulheres passem por isso em pleno exercício de cidadania. Nossa vitória será na campanha”, relatou. Da mesma forma, em 2022, ela narrou violências durante a campanha ao governo de Goiás.
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