Segunda-feira, 31 de Agosto de 2026
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Quem é Gustavo Mendanha: a trajetória do ex-prefeito que tenta o Senado em 2026

Com herança política do pai e recorde de votação no Executivo, ex-prefeito tenta espaço na Casa Alta

Por - Goiânia, GO
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Quem é Gustavo Mendanha: a trajetória do ex-prefeito que tenta o Senado em 2026

Gustavo Mendanha até nasceu em Goiânia por uma questão logística, mas foi criado e construiu sua trajetória política em Aparecida de Goiânia. Candidato ao Senado na chapa de Daniel Vilela (MDB), o político passou por outros cargos do Legislativo e Executivo até 2022.

Ex-prefeito de Aparecida, o político é formado em Educação Física pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, casado com Mayara Mendanha e pai de três filhos: Asafe, Luiza e Emanuel. Antes de entrar na vida pública, ele atuou em ações sociais e missionárias em Angola, por meio da Jocum, Jovens Com Uma Missão, ligada à Assembleia de Deus.

A trajetória de Mendanha pode ter começado em 2008, quando foi eleito vereador por Aparecida de Goiânia pela primeira vez, mas sua influência vem de antes. A inspiração do aparecidense de coração vem do pai, Léo Mendanha, falecido aos 66 anos em decorrência da Covid-19 em abril de 2021. Batizado Liosmar Evaristo, ele nasceu no dia 29 de novembro de 1954 em Inhumas. Foi vereador em Aparecida (1989-1992), secretário de Finanças do município (1992-1994) e deputado estadual por dois mandatos (1995 a 1999 e 1999 a 2003).

“É difícil expressar o sentimento que está no meu peito. Perdi não só um pai, perdi não só um amigo, perdi o maior incentivador da minha vida. Meu pai era meu alicerce, era minha base, minha raiz, minha estrutura abaixo da envergadura que me tornei”, disse Gustavo em rede social naquele momento.

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Léo Mendanha e Gustavo (Foto: reprodução/Instagram)

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Trajetória política

De volta a 2008, Mendanha foi eleito vereador no mesmo ano em que Maguito Vilela (MDB) se tornou prefeito do município pela primeira vez. O gestor e Léo já eram amigos, e a aproximação com Gustavo foi natural. Em 2012, ambos foram reeleitos; o jovem se tornou presidente da Câmara entre 2013 e 2016.

Com apoio de Maguito, Mendanha foi eleito prefeito de Aparecida de Goiânia no primeiro turno, em 2016, sendo reeleito em 2020 com 98,8% dos votos válidos. Ele se tornou o prefeito mais bem votado do país naquela eleição.

Como em 2018, quando Daniel Vilela (MDB) disputou e perdeu a eleição ao Palácio das Esmeraldas, Gustavo defendeu que o partido tivesse candidatura própria ao governo do Estado. Com a aproximação de Daniel e Ronaldo Caiado (PSD) – inclusive com ele se tornando vice -, Mendanha rompeu com o aliado para lançar o próprio nome na disputa. Apesar de conquistar 25,2%, foi derrotado em primeiro turno.

O rompimento durou até maio de 2023. Durante uma reunião no Palácio das Esmeraldas, o ex-prefeito de Aparecida selou a aliança com Daniel e com o governador Ronaldo Caiado, já agendando seu retorno ao MDB, o que de fato aconteceu naquele ano.

“Chegamos à oportunidade de ter uma conversa que eu esperei durante muito tempo e que foi construída com muita habilidade, com muita sinceridade também, que foi a aproximação nossa com o ex-prefeito Gustavo Mendanha”, disse Caiado naquele momento. “Ele volta à sua casa, sua origem partidária e, a partir daí, avança cada vez mais as suas composições nos 246 municípios do Estado.”

Mendanha, então, celebrou a amizade com Daniel. “Eu estou voltando para a minha casa, quero fazer uma grande festa com o Daniel.”

Reaproximação de Mendanha, Daniel e Caiado aconteceu em 2023 (Foto: Francisco Costa)

Desde então, o ex-prefeito não escondia o desejo de retornar ao jogo político. Em 2024, ele consultou a Justiça Eleitoral para concorrer à prefeitura de Goiânia, mas esbarrou na tese do “prefeito itinerante”. Ou seja, a Constituição Federal veda o chamado terceiro mandato consecutivo, mesmo com a mudança de domicílio eleitoral. Para 2026, a ideia era entrar na disputa por cargo majoritário.

Gustavo colocou o nome à disposição para vice de Daniel, mas a disputa acabou afunilando entre Luiz do Carmo, o escolhido, e Zé Mário, ambos do PSD. O ex-prefeito, então, decidiu entrar na disputa ao Senado, sendo um dos quatro nomes da base na corrida pela Casa Alta do Congresso. Além dele, estão no páreo: a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil), o senador Vanderlan Cardoso (PSD) e o deputado federal Zacharias Calil (MDB).

Polêmica recente

Recentemente, Gustavo Mendanha esteve no centro de uma polêmica. Também candidata ao Senado, Gracinha Caiado acusou o ex-prefeito de ataques durante a campanha. “Cada vez que eu chego na carreata, tem um meme, tem notícia contra mim, me afronta, entendeu? Eu acho que as coisas são discutidas em casa, né? Agora, você desrespeitar uma mulher pelo simples fato de ela ser uma mulher, você não ir debater argumentos simplesmente com preconceito, é muito difícil essa discussão”, disse a ex-primeira-dama na quinta-feira (27) em entrevista à TV Sucesso.

As queixas já ocorriam nos bastidores há alguns dias, conforme apurado. No programa, contudo, Gracinha reforçou a insatisfação. Além disso, a ex-primeira-dama evidenciou o caso na Rádio Difusora, na sexta-feira (28). Em entrevista, ela disse que o candidato tem tentado desqualificá-la. Ela ressaltou ter boa relação com os demais candidatos da base ao Senado, citando nominalmente o senador Vanderlan Cardoso (PSD) e o deputado federal Zacharias Calil (MDB).

Por meio de nota, Gustavo Mendanha negou qualquer ataque e disse ter sido surpreendido com a situação. “Recebi com surpresa as declarações da ex-primeira-dama e candidata ao Senado Gracinha Caiado, que integra a mesma base política da qual faço parte e a quem já declarei publicamente meu segundo voto.”

“Desconheço qualquer situação de desrespeito da minha parte e nunca recebi dela qualquer reclamação nesse sentido. Desde criança, aprendi dentro de casa que respeito é princípio básico na relação com qualquer pessoa. Foi assim que conduzi minha vida, minha trajetória pública e minhas relações. Jamais tratei alguém com desrespeito”, continuou.

Mendanha afirmou, ainda, que sempre fez política para o bem e nunca precisou atacar ninguém para defender suas ideias. “Da minha parte, essa posição não mudou. Gracinha continua sendo meu segundo voto para o Senado”, reforçou. Para ele, a situação pode ter sido provocada por fatores externos. “Acredito que esse episódio possa estar sendo alimentado por informações distorcidas e por adversários interessados em criar divergências dentro de uma base que permanece unida em torno do mesmo projeto político.”

Gracinha acusa Mendanha de ataques e ex-prefeito diz que foi pego de surpresa
Gracinha acusou Mendanha de ataques e ex-prefeito disse que foi pego de surpresa (Foto: Reprodução)

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Bastidores na convenção

Quem saiu em defesa de Gracinha foi o senador Vanderlan Cardoso. Ele repudiou o caso sem citar nomes. O congressista não estaria satisfeito com as múltiplas candidaturas da base ao Senado.

Inclusive, em 5 de agosto, durante a convenção do MDB que confirmou Daniel ao governo, o ex-prefeito foi orientado a se atrasar para não discursar, conforme apuração do jornal O Popular. Mendanha adiou sua chegada o suficiente para que todos os senatoriáveis discursassem antes e não houvesse tempo para ele falar.

A orientação partiu de uma pessoa do próprio núcleo político da base governista, que monitorava e atuava para diminuir a insatisfação do senador com a pulverização de candidaturas ao Senado dentro do grupo. Nos últimos meses, Vanderlan defendeu que a base tivesse só duas postulações ao cargo.

Mendanha e Vanderlan foram companheiros de partido no passado recente, e o ex-prefeito de Aparecida saiu do PSD porque se desentendeu com o parlamentar.

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