Veja quanto o comércio de Goiás acredita que você vai gastar no Dia dos Pais
Varejo goiano tenta superar os R$ 263 milhões de 2025; Região da 44 projeta avanço de até 4% e espera receber mais de 50 mil famílias
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Otimista com o Dia dos Pais, o comércio em Goiás espera superar o volume de vendas registrado em 2025. De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás (Sindilojas-GO) a expectativa é a de que o tíquete médio seja de R$ 280 por pessoa.
“O consumidor de 2026 compra com mais cautela, pesquisa mais e procura um produto de boa qualidade, duradouro e eficiente”, afirma a presidente do Sindilojas-GO, Marisa Carneiro. Segundo Marisa, as compras por impulso perdem espaço para decisões tomadas após comparação de preços.

O vice-presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), Thiago Falbo, afirma que a expectativa para Goiás e Goiânia acompanha o cenário nacional, com crescimento moderado. Ele cita uma faixa de tíquete médio entre R$ 231 e R$ 286, conforme a metodologia de cada pesquisa.
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“O consumidor está mais cauteloso, mais racional e mais comparador. Pesquisa preços antes de comprar e usa mais os canais digitais para decidir”, diz Falbo.
Para a Acieg, roupas, calçados, acessórios, perfumes, cosméticos e eletrônicos devem concentrar a procura. Pix, cartão de débito e cartão de crédito aparecem como as formas de pagamento mais usadas. A entidade considera a tradição da data e as promoções como fatores favoráveis, enquanto o endividamento, a pressão dos preços e o crédito caro limitam o resultado.

Marisa Carneiro também coloca roupas, calçados e acessórios no primeiro grupo de presentes. Cosméticos, perfumes, ferramentas, eletrônicos e artigos esportivos aparecem na sequência. Segundo a presidente do Sindilojas-GO, o pagamento à vista, principalmente por Pix, deve liderar; entre as compras a prazo, o cartão de crédito ocupa o primeiro lugar.
A diferença de preços reforça a pesquisa antes da compra. Levantamento do Procon Goiânia divulgado pelo Mais Goiás encontrou variação de até 226,22% entre presentes pesquisados nos dias 27 e 28 de julho. O órgão comparou 26 produtos em 20 estabelecimentos físicos e virtuais. A soma dos cinco itens com as maiores diferenças variou de R$ 1.049,48 a R$ 1.824,79, uma distância de R$ 775,31.
Região da 44 projeta alta de até 4%

Na Região da 44, em Goiânia, a Associação Empresarial da Região da 44 (AER44) espera crescimento de 3% a 4% no faturamento em relação ao Dia dos Pais de 2025. O presidente da entidade, Sérgio Naves, afirma que o movimento do atacado, registrado duas semanas antes da data, já apresentou avanço de cerca de 3% sobre o ano anterior.
“A expectativa é sempre positiva. Esperamos receber mais de 50 mil famílias de quinta-feira a sábado para comprar o presente”, afirma Naves. O período citado pelo presidente compreende os dias 6, 7 e 8 de agosto, véspera do Dia dos Pais, celebrado no domingo (9).
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A AER44 também divulga nas redes sociais sugestões de conjuntos de roupas a partir de R$ 100. A estratégia tenta atrair o consumidor que chega à região com um limite definido para a compra.
O Mega Moda, que reúne os shoppings atacadistas Mega Moda Shopping, Mega Moda Park e Mini Moda, também prepara ações para a data. Compras a partir de R$ 500 dão direito a uma caneca térmica, enquanto cada R$ 200 gastos em lojas masculinas geram um cupom para o sorteio de uma cervejeira, marcado para 7 de agosto. As campanhas obedecem aos estoques e aos regulamentos definidos pelo grupo.
Para Paula Sepulveda, gerente de Marketing do Grupo Mega Moda, a data atende dois públicos da Região da 44: as famílias que procuram o presente e os revendedores que abastecem lojas em outras cidades. O complexo reúne 1,2 mil lojas, e cerca de 80% trabalham com confecção própria, segundo a administração.
Projeção nacional
A pesquisa da Hibou Pesquisas & Insights, realizada em todo o território nacional em parceria com a Score Agency, mostra que 72% dos entrevistados pretendem gastar até R$ 250 na comemoração e apenas 3% planejam desembolsar mais de R$ 1 mil. Para 34%, o orçamento está mais apertado do que em 2025. Outros 11% também sentem a redução da renda disponível, mas afirmam que manterão a tradição de presentear a família.
Apesar da cautela, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) calcula que a data movimentará R$ 8,52 bilhões no varejo brasileiro, alta real de 2,9% sobre 2025. Se a projeção se confirmar, será o maior faturamento do Dia dos Pais em 12 anos.
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Projeções nacionais usam metodologias diferentes
Além da estimativa da CNC, outros levantamentos calculam o impacto da data por critérios próprios. A CNDL e o SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, projetam R$ 29,7 bilhões no comércio e nos serviços. O estudo aponta 104 milhões de consumidores com intenção de compra e gasto médio de R$ 286.
Os números não são diretamente comparáveis. A CNC estima o volume de vendas associado à data no comércio varejista. Já a CNDL e o SPC Brasil partem das intenções declaradas por moradores das 27 capitais e incluem comércio e serviços. Uma terceira pesquisa, da Abecs com o Instituto Datafolha, calcula cerca de R$ 9 bilhões em compras e tíquete médio de R$ 231.
O retrato comum aos levantamentos é o de crescimento com restrição financeira. A CNC associa a previsão de alta à taxa de desemprego de 5,6% no trimestre encerrado em maio e ao aumento de 5% na massa real de rendimentos. O mesmo estudo, porém, aponta que 81,64% das famílias têm dívidas a vencer e 29,9% possuem parcelas em atraso.
A entidade também calcula que a cesta de presentes ficou 5,8% mais cara, acima dos 5% projetados para o IPCA-15. Computadores registram alta de 11,9% e perfumes, de 9,8%. A previsão é de 12,07 mil vagas temporárias no país, das quais 6,11 mil em hipermercados e supermercados.
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Roupa lidera, mas qualidade pesa mais que preço
O estudo Hibou/Score aponta vestuário em 74% das intenções, seguido por calçados, com 51%, e perfumes, com 42%. Entre os fatores de decisão, a qualidade aparece em primeiro lugar, citada por 51%, à frente do preço, com 40%, e do pedido feito pelo próprio pai, com 39%. Promoções e condições especiais influenciam 31%.
O shopping continua como o destino preferido para a compra do presente, com 50% das respostas. As lojas virtuais das próprias marcas aparecem com 37%, e os marketplaces, com 26%. Antes da escolha, 44% procuram ideias na internet. Mesmo com a ampliação do canal digital, 51% preferem decidir sozinhos o que comprar, enquanto 56% afirmam que tentam descobrir diretamente com o pai o que ele deseja ganhar.
O levantamento da CNDL/SPC também identifica uma jornada híbrida. Entre os entrevistados, 77% pesquisam preços antes da compra; 83% fazem buscas pela internet e 67% visitam lojas físicas para comparar valores. No momento de fechar o negócio, 72% pretendem recorrer a canais presenciais e 47% consideram comprar pela internet. As respostas permitem mais de um canal.
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Supermercados e restaurantes apostam no almoço em família
No varejo alimentar, a expectativa nacional se concentra na compra conjunta de itens para a refeição e opções de presente. A SuperHiper, publicação oficial da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), informa que 64% dos consumidores preferem lojas físicas e 35% escolhem o comércio eletrônico. Os dados pertencem à pesquisa Abecs/Datafolha, que projeta R$ 9 bilhões em compras, 13,3% acima do ano anterior, e tíquete médio de R$ 231.
Redes nacionais reforçam açougues, padarias, confeitarias, setores de cuidados pessoais, utilidades domésticas e kits presenteáveis. O Covabra, que opera no interior de São Paulo, espera aumento de 30% nas vendas da campanha própria para a data. A projeção da rede não representa todo o setor supermercadista, mas mostra a estratégia adotada por parte das empresas para ampliar o valor gasto em cada visita.
O histórico recente sustenta a aposta em refeições feitas em casa. Segundo a Scanntech, a cesta de produtos associada ao Dia dos Pais cresceu 8,2% em faturamento e 1,1% em unidades na semana da data em 2025, na comparação com 2024. Entre os alimentos, o faturamento de carne bovina avançou 53,5%; frango, 21,6%; e carne suína, 10,8%. O pão de alho registrou aumento de 5,5% em unidades vendidas.
O Mais Goiás procurou a Associação Goiana de Supermercados (Agos) para obter uma projeção específica para Goiás, mas não recebeu resposta até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.
No setor de alimentação fora do lar, uma pesquisa nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel)aponta que 76% dos estabelecimentos que abrem no Dia dos Pais esperam faturar mais do que na mesma data de 2025. Do total, 65% projetam crescimento de até 20%, enquanto 11% estimam avanço superior a esse percentual.
Na comparação com um domingo comum, 77% dos empresários esperam receita maior. Entre eles, 18% calculam crescimento acima de 20%. Metade dos entrevistados considera a comemoração relevante para o desempenho do negócio: 22% classificam a data como muito importante e 28%, como importante.

Em Goiás, a assessoria de imprensa da Abrasel-GO informa que o Dia dos Pais está entre as datas que favorecem o movimento do setor. “Em geral, o público procura os restaurantes principalmente para o almoço em família. Muitos estabelecimentos de Goiânia montam programação com atrações musicais, cardápios e promoções”, afirma a entidade.
A expectativa de aumento ocorre após a desaceleração registrada em junho. Segundo a Abrasel, 49% dos empresários tiveram faturamento inferior ao de maio, 29% registraram crescimento e 22% mantiveram estabilidade. No mesmo período, 35% dos estabelecimentos operaram com lucro, 40% ficaram em equilíbrio e 25% tiveram prejuízo. Em maio, os percentuais eram de 39%, 41% e 19%, respectivamente.
O Índice Abrasel-Stone também apontou retração de 2,1% nas vendas de bares e restaurantes em junho, na comparação com maio. Entre os empresários consultados, 40% afirmam que não conseguem reajustar os preços do cardápio; 55% aplicam aumentos iguais ou inferiores à inflação; e 5% elevam os valores acima do índice. A pesquisa mostra ainda que 61% não possuem pagamentos em atraso. Entre os negócios com pendências, os débitos mais citados são impostos federais, com 73%; impostos estaduais, com 50%; e empréstimos bancários, com 33%.
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Presença vale mais do que o presente
Embora o comércio espere alta, a pesquisa Hibou/Score mostra que o significado da data não se resume à compra. Para 41% dos entrevistados, estar com toda a família é o maior presente. Outros 38% consideram ideal o item que cabe no bolso, e 32% priorizam algo útil na rotina do pai. Marca renomada não aparece como fator relevante nas respostas.
O almoço em família, dentro de casa, é apontado por 33% como o elemento que não pode faltar. Respeito aparece com 30%, união com 29% e saúde com 28%. Presentes são citados por 12% e fotografias, por 10%.
Os planos para o domingo também revelam diferentes realidades. Segundo o levantamento, 22% passarão a data em casa sem receber visitas; 17% irão à casa do pai ou do sogro; 14% receberão a família; e apenas 7% escolherão um restaurante. Outros 12% ainda não decidiram.
O percentual de consumidores que planejam ir a restaurantes e a expectativa dos empresários medem universos diferentes. A Hibou/Score pergunta às famílias onde pretendem comemorar, enquanto a Abrasel consulta estabelecimentos que abrem na data e compara o faturamento esperado com o Dia dos Pais de 2025 e com um domingo comum.
“A presença continua valendo mais do que a performance do presente”, afirma Albano Neto, CSO e CCO da Score Agency. Para ele, os dados mostram que o consumidor não abandona a data, mas procura formas possíveis de comemorá-la.
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Data mais cara e comercial para 32%
A pressão sobre o orçamento também interfere na percepção do Dia dos Pais. Para 32% dos entrevistados, a celebração fica mais cara e comercial a cada ano. A avaliação sobe para 39% entre pessoas com até 34 anos. Outros 21% entendem que a data ganha caráter mais emotivo, enquanto 27% não percebem mudança.
Ao definir o significado do domingo, 26% veem uma oportunidade de reconhecer e agradecer aos pais; 24% priorizam a reunião da família; 22% consideram a ocasião apenas comercial; e 18% associam a data à saudade. Entre pessoas com 55 anos ou mais, a saudade alcança 35%.
“O brasileiro não abandonou o significado emocional da data, mas está mais crítico com o excesso de apelo comercial”, afirma Ligia Mello, CSO da Hibou.
O resultado cria um desafio para o varejo: vender para um consumidor que preserva a tradição, mas controla o gasto e rejeita comunicações que forçam situações familiares. Entre os entrevistados, 27% valorizam campanhas baseadas em respeito, amor e diversidade; 25% priorizam a emoção da história; e 18% citam promoções e descontos.
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Metodologia
A pesquisa “Dia dos Pais”, da Hibou Pesquisas & Insights em parceria com a Score Agency, ouviu 1.251 pessoas de todo o Brasil por meio de painel digital em julho de 2026. A amostra inclui maiores de 18 anos, de todos os gêneros e das classes A, B, C, D e E. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais.
O levantamento CNDL/SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, ouviu 978 consumidores das 27 capitais entre 23 de junho e 1º de julho de 2026. Na segunda etapa, 636 pessoas com intenção de compra responderam ao questionário. As margens de erro são de 3,1 e 3,9 pontos percentuais, respectivamente, com nível de confiança de 95%.