Segunda-feira, 31 de Agosto de 2026
SAÚDE

Cerca de 1,19 milhão de pessoas usam vapes ou sachês de nicotina em Goiás, diz levantamento

Pesquisa aponta 389,5 mil consumidores frequentes de cigarros eletrônicos e estima mercado de R$ 359,2 milhões em todo o Estado

Por - Goiânia,GO
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Um levantamento da Escola de Segurança Multidimensional da Universidade de São Paulo (ESEM-USP), em parceria com o Instituto Ipsos, estima que 1,19 milhão de adultos em Goiás tenham usado cigarros eletrônicos ou sachês de nicotina nos seis meses anteriores a pesquisa, realizada entre agosto e setembro de 2025. Desse total, cerca de 389,6 mil são considerados consumidores frequentes, enquanto outros 801,6 mil relataram uso ocasional no período.

Os números fazem parte do 1º Levantamento Nacional sobre a Demanda de Bens e Serviços Ilícitos no Brasil, que analisou o consumo de produtos de diferentes segmentos, entre eles tabaco e nicotina. A pesquisa de campo foi realizada pelo Ipsos com 3 mil pessoas de 18 anos ou mais em todo o país. A coleta combinou entrevistas pela internet e presenciais.

Em Goiás, a pesquisa considera consumidores frequentes aqueles que usaram os produtos no último mês ou nos últimos três meses. Já os consumidores ocasionais são os que disseram ter usado cigarros eletrônicos ou sachês de nicotina nos últimos seis meses, mas não recentemente.

Fonte: ESEM-USP

Vapes concentram maior parte do mercado

O levantamento trata de dois produtos diferentes: cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, e sachês de nicotina. Entre eles, os cigarros eletrônicos têm maior presença no mercado.

No estudo nacional, as lojas físicas especializadas aparecem como principal canal de compra, com 33% das vendas. Os vendedores informais representam 21%, enquanto o comércio eletrônico responde a 22%. No Centro-Oeste, 25% das compras de cigarros eletrônicos são feitas com vendedores informais.

A pesquisa também aponta que, entre os consumidores ouvidos, o principal motivo citado para usar cigarro eletrônico foi o sabor ou aroma, mencionado em 21% das respostas. A curiosidade apareceu em segundo lugar, com 17%. Também foram citados o uso em ambientes fechados, a tentativa de reduzir o consumo de cigarros tradicionais e a influência de amigos e conhecidos.

Produto continua proibido no Brasil

Os cigarros eletrônicos continuam proibidos no Brasil. Já os sachês de nicotina aparecem no levantamento como produtos que ainda não possuem regulamentação específica no país. O próprio relatório observa que existe confusão entre parte da população sobre a situação legal desses produtos: 27% dos entrevistados disseram acreditar que cigarros eletrônicos são legalizados.

A pesquisa também indicou que 12% dos brasileiros estariam dispostos a comprar cigarros eletrônicos de forma ilegal. No Centro-Oeste, esse percentual sobe para 16%. O dado representa uma intenção ou disposição de consumo, e não significa que essas pessoas tenham realmente comprado produtos ilegais.

O levantamento foi produzido pela ESEM, ligada ao Instituto de Relações Internacionais da USP, em parceria com o Ipsos Brasil. A amostra teve 3 mil entrevistados, com margem de erro de 1,8% para o conjunto da população brasileira. O estudo recebeu apoio financeiro do programa PMI Impact, da Philip Morris International.

O relatório é um estudo nacional e os números apresentados para Goiás são estimativas derivadas da pesquisa. Por isso, eles não equivalem a uma contagem oficial de usuários no Estado, mas a uma projeção baseada na amostra e na metodologia adotada pelos pesquisadores.

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