Segunda-feira, 31 de Agosto de 2026
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Compreender sentimentos é um dos desafios que a IA tem pela frente, diz goiano que é referência no assunto

Em entrevista ao Mais Goiás, professor analisa a memória da IA, sua capacidade criativa e o que ainda falta para chegar à AGI

Por - Goiânia, GO
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Professor Anderson Soares durante entrevista ao Mais Goiás sobre os avanços e desafios da inteligência artificial

Apesar dos avanços rápidos da inteligência artificial nos últimos anos, a tecnologia ainda enfrenta limitações importantes. Entre os principais desafios está a capacidade de manter contexto e memória ao longo das interações, além de questões relacionadas à criatividade e à compreensão de sentimentos. Em entrevista ao Mais Goiás, o professor Anderson Soares explicou que esses obstáculos ainda estão longe de ser completamente solucionados.

Segundo Anderson, os sistemas de inteligência artificial generativa, como ChatGPT e Gemini, ainda apresentam um modelo de memória considerado rudimentar. Ao longo do uso, parte do contexto das interações pode ser perdida, o que limita a capacidade de manter uma compreensão contínua sobre aquilo que foi discutido anteriormente.

AGI ainda é um desafio distante

Outro ponto está relacionado ao desenvolvimento da chamada Inteligência Artificial Geral (AGI). O conceito se refere a sistemas capazes de desempenhar uma ampla variedade de tarefas com capacidades próximas às humanas. Apesar do avanço em ferramentas cada vez mais sofisticadas, Anderson afirma que ainda existe um longo caminho científico e tecnológico até que esse nível seja alcançado.

Professor destaca que a IA ainda depende dos dados aos quais teve acesso (Foto: Arquivo pessoal)

Ele explica que a velocidade das evoluções recentes pode causar a impressão de que a tecnologia está próxima de atingir esse estágio. No entanto, segundo o professor, a percepção não corresponde ao atual nível de desenvolvimento da área.

“De fato, as evoluções foram muito rápidas, muito interessantes, e isso faz com que a gente se impressione”, afirma. Ainda assim, ele aponta que há praticamente um consenso na comunidade científica de que a AGI continua distante.

Criatividade e sentimentos ainda são simulados

A limitação também aparece na forma como as inteligências artificiais produzem respostas e conteúdos. Segundo Anderson, os sistemas atuais dependem dos dados aos quais tiveram acesso e continuam funcionando, em grande medida, por meio do reconhecimento de padrões.

Nesse cenário, a criatividade produzida por uma IA ainda seria limitada quando comparada à capacidade humana de criar. O sistema consegue combinar e reorganizar informações a partir dos padrões presentes nos dados utilizados em seu treinamento, mas isso não significa que tenha uma experiência criativa semelhante à de uma pessoa.

Anderson Soares é um dos nomes à frente do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) (Foto: Arquivo pessoal)

A mesma diferença aparece quando uma inteligência artificial afirma sentir emoções. Segundo Anderson, quando um sistema diz estar feliz, triste, preocupado ou demonstra qualquer outro sentimento, ele não está vivenciando aquela emoção.

“Quando uma IA diz que expressa sentimentos, na verdade ela está emulando aquilo que foi expresso em dados por textos escritos por humanos”, explica.

De acordo com o professor, essa capacidade é resultado da maneira como a tecnologia é projetada e treinada para reproduzir padrões presentes na linguagem humana. A IA consegue identificar formas de expressão associadas a determinados sentimentos e gerar respostas compatíveis com elas, mas não possui uma compreensão biológica ou cognitiva da emoção.

“Ela não é capaz realmente de entender aquilo sob uma ótica biológica ou cognitiva”, afirma.

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