Pauta destravada

Governo retira urgência de projeto sobre escala 6×1; saiba o que muda

Durante o pedido, nenhuma outra matéria poderia ser votada em plenário até que a escala fosse apreciada primeiro

Governo retira urgência de projeto sobre escala 6x1; saiba o que muda
Retirada da urgência constitucional preocupa prazos estipulados pelo Governo Federal (Foto: Valter Campanato/ABR)

A decisão do governo federal de retirar o regime de urgência constitucional do projeto de lei que regulamenta o fim da escala de trabalho 6×1 muda o cenário de tramitação da proposta no Congresso Nacional. A medida, encaminhada ao Legislativo na última terça-feira (16/6), evita que o texto gere um bloqueio na pauta de votações da Casa e permite o avanço de outros projetos.

O regime de urgência constitucional solicitado pelo governo Lula buscava acelerar a análise da proposta. Nesse modelo, Câmara e Senado contam com 45 dias cada para apreciar a matéria. Se o prazo for descumprido, ocorre o chamado “trancamento de pauta” ou sobrestamento. Na prática, nenhuma outra matéria poderá ser votada em plenário até que a proposta em regime de urgência seja votada primeiro.

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Ou seja, a retirada da urgência desobriga o Parlamento de analisar o projeto dentro dos 45 dias previstos pela urgência. Com o destravamento da pauta, a expectativa é que a Casa passe a analisar propostas que estavam aguardando espaço para votação, entre elas a atualização do teto de faturamento dos Microempreendedores Individuais (MEIs), a regulamentação da Inteligência Artificial e o projeto que criminaliza a misoginia.

Articulação política

A retirada do pedido também altera a estratégia política adotada pelo Palácio do Planalto. O governo tinha mantido a urgência como forma de pressionar o Congresso a acelerar a discussão sobre o tema. A intenção era fazer com que a proposta avançasse no menor tempo possível.

Atualmente, o andamento da pauta depende da vontade do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB). Ele, porém, dá sinais de resistência em relação a qualquer tipo de celeridade. Até a última terça-feira (9/6), a expectativa do governo era de que a proposta fosse destravada com a definição de um cronograma de tramitação e escolha de um relator para a matéria, o que não ocorreu já que o senador condicionou o avanço da PEC a uma reunião com o presidente Lua.

Até semana passada o governo resistia sobre a retirada do pedido pedido de urgência diante da avaliação de desinteresse por parte do presidente do Senado (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Enquanto os governistas buscam uma tramitação rápida para o assunto, Alcolumbre, na contramão disso, defende a promoção de debates que possam aprofundar as discussões sobre a proposta. O parlamentar também já sinalizou, a contragosto do governo, que os senadores poderão alterar o texto aprovado pela Câmara dos Deputados. Caso isso ocorra, a PEC deverá retornar à Câmara para uma nova rodada de discussão e votação, o que ampliaria ainda mais o tempo de tramitação.

Em função disso, até semana passada o governo resistia sobre a retirada do pedido pedido de urgência diante da avaliação de desinteresse por parte do presidente do Senado. Integrantes do Planalto também davam sinais de que abrir mão desse mecanismo poderia reduzir o ritmo das discussões e comprometer os prazos do Executivo.

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Sem esse mecanismo, o projeto deixa de ter tramitação acelerada e passa a seguir o rito normal de apreciação, dependendo das definições da Mesa Diretora e dos líderes partidários para voltar à pauta de votações. Com isso, o avanço da matéria passa a depender das negociações políticas da equipe de Lula (PT) junto às lideranças do Congersso.

Objetivo

O projeto de lei enviado pelo governo reproduz as mudanças já aprovadas pelos deputados na proposta de emenda à Constituição que trata do tema, estabelecendo jornada máxima de 40 horas semanais e dois dias de descanso, consolidando essas regras na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O relatório apresentado na Câmara, no entanto, optou por não detalhar regras específicas para categorias profissionais que possuem legislação própria, deixando essa discussão para uma etapa posterior.

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Nos bastidores do Palácio do Planalto, o fim da escala 6×1 é tratado como uma das principais bandeiras do governo antes das eleições de 2026. Com forte apelo popular, aliados do presidente Lula avaliam que a aprovação da medida pode fortalecer a imagem do governo junto aos trabalhadores e trazer reflexos positivos a outubro.

Apesar da retirada da urgência, o governo afirma que a proposta continua entre suas prioridades. Em nota, o Palácio do Planalto reiterou que mantém o compromisso com o fim da escala 6×1 sem redução salarial e justificou que a decisão foi tomada para permitir a votação de outras matérias consideradas estratégicas antes do encerramento do semestre legislativo.

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